★★★
O beijo traiçoeiro
Não se vencia todas as batalhas de maneira direta. Algumas eram vencidas como o subir e descer contínuo da maré do oceano que havia observado na juventude, gentil e confiável – útil, talvez –, até um dia arrancar a encosta do despenhadeiro.
A maré estava vindo. Só precisava ter um pouco mais de paciência.
Sinopse:
Livro 1, O círculo do traidor
Uma garota obstinada que não quer se casar. Um soldado que fará de tudo para provar seu valor. Um reino à beira da guerra. Com sua língua afiada e seu temperamento rebelde, Sage Fowler está longe de ser considerada uma dama ― e não dá a mínima para isso. Depois de ser julgada inapta para o casamento, Sage acaba se tornando aprendiz de casamenteira e logo recebe uma tarefa importante: acompanhar a comitiva de jovens damas da nobreza a caminho do Concordium, um evento na capital do reino, onde uniões entre grandes famílias são firmadas. Para formar bons pares, Sage anota em um livro tudo o que consegue descobrir sobre as garotas e seus pretendentes ― inclusive os oficiais de alta patente encarregados de proteger o grupo durante essa longa jornada. Conforme a escolta militar percebe uma conspiração se formando, Sage é recrutada por um belo soldado para conseguir informações. Quanto mais descobre em sua espionagem, mais ela se envolve numa teia de disfarces, intrigas e identidades secretas. E, com o destino do reino em jogo, a última coisa que esperava era viver um romance de tirar o fôlego.
O que eu achei:
Com uma atmosfera bem intrigante e um tanto fantasiosa, esse romance se passa em um mundo inventado e cheio de regras e costumes esquisitos, kk. A história de amor entre os mocinhos, Sage e Alex, é bem fofinha e é recheada por momentos repletos de aventuras, conspirações, batalhas, armadilhas e claro, traições no reino...
— Para uma professora, você é incrivelmente teimosa quando se trata de aprender.
— Eu estudo todos os dias.
— Não estou falando de história ou geografia. Olhe só para mim, mal sei ler e escrever, mas tenho seu futuro e o de meninas de toda a Demora na palma das mãos. A sabedoria não vem só dos livros.
E embora eu tenha ficado agradavelmente surpresa com o desenrolar da narrativa, em muitos momentos, achei o texto bem confuso, o que me fez atrasar a leitura e ficar sem ânimo para ler a continuação. Além dos personagens ficarem pulando de cidade em cidade e de reino em reino (com nomes esquisitos que nem existem e com os quais temos que nos familiarizar), há um troca-troca de identidades absurdo de acompanhar! Tipo, a própria Sage se apropria de uma identidade falsa, se passando por Lady Broadmoor, mas até aí beleza, porque isso fica bem claro para o leitor. O enredo começa a se enrolar durante a grande comitiva de noivas (Concordium), quando Sage conhece Ash Carter (que na verdade é o capitão Quinn disfarçado de Ash) por quem se apaixona e vice-versa. Enquanto isso o príncipe Robert se disfarça de capitão Quinn, e o verdadeiro Ash (que é filho ilegítimo do rei e irmão de Rob) aparece esporadicamente aqui e ali, contribuindo para a nossa confusão! Enfim, se você não se importa com spoilers e está confusa com o rumo do negócio todo, leia as páginas 299, 319 e 362 (onde é possível entender melhor essa troca de identidades que acontece entre os personagens). Eu precisei reler várias partes para tentar entender quem era quem e mesmo assim, vez ou outra, tinha de voltar algumas páginas para não perder o fio condutor da história. Para mim isso fez o livro perder mais uma estrelinha.
— Eu nunca seria feliz fingindo ser algo que não sou. Mas queria que ser eu mesma não causasse tantos problemas.
(...)
— Representamos vários papéis ao longo da vida... Isso não faz com que todos sejam mentira.
Mas para facilitar tudo, um pequeno resuminho: A plebeia Sage se torna aprendiz de casamenteira e se passa por uma lady para conseguir informações úteis para formar futuros casais. O poderoso duque D'Amiran, que é o grande vilão e traidor da história (em cada livro da trilogia haverá um traidor trolando todo mundo e querendo dominar o mundo, haha), está planejando usar as moças em seus planos de alianças políticas para derrubar o reino e de quebra ainda entregar o príncipe Rob aos Kimisaros (povo inimigo) e se vingar do capitão Quinn por causa da rixa antiga que ele tem com o pai do Quinn. Por causa dessa suspeita de traição, o capitão e seus homens vão escoltar as moças nobres que estão indo para um grande leilão de casamentos que acontecerá num reino distante. Só que a princípio, o capitão (que sem nenhuma explicação ao leitor, passa a ser chamado de Ash ou o Rato) se aproxima de Sage (apelidada Estorninho no código secreto deles) pensando que ela pode ser uma espiã, que está fornecendo informações aos inimigos, tudo isso porque ela vive fazendo anotações suspeitas em seu caderninho sobre os soldados e sobre as moças. Mas pouco depois, as coisas são esclarecidas e ela passa a ajudá-los. Mas aí ela se apaixona pelo "Ash" e depois fica bem brava quando descobre que na verdade de apaixonou pelo capitão... Mas no fim fazem as pazes e ficam noivos. O livro termina com a Sage se tornando preceptora das princesas e prometendo esperar o Alex voltar da sua nova missão no exército.
— Eu te amo, Sage Fowler. De todas as coisas que disse e fiz, essa é a mais verdadeira.
Se não fosse por essa bagunça no enredo, acho que o romance teria sido infinitamente melhor, afinal há momentos divertidos e interessantes de acompanhar. Só fiquei triste com a morte do pequeno e adorável Charlie, o irmãozinho do capitão Quinn. Achei nada a ver terem metido uma criança inocente numa batalha! Mas acho que a autora usou o que tinha em mãos para tornar as cenas finais mais dramáticas. Beijinhos e au revoir...
— Os deveres da mulher de um nobre são simples, mas trabalhosos. Ela cai nas graças de seu marido com sua aparência e suas boas maneiras...
A frase incomodou Sage. Desde que ela fosse bonita e bem-humorada, seu marido ia amá-la? Era quando as pessoas estavam em seu pior que mais precisavam de amor. A mulher continuou falando sem parar: ela deveria ser submissa; deveria ser obediente; deveria ser graciosa; deveria sempre concordar com o marido. Deveria ser o que ele quisesse.
— Agora, continuando — disse a mulher interrompendo os pensamentos de Sage — Caso seu primogênito seja uma menina, o que vai dizer quando colocar a criança nos braços dele?
“Da próxima vez terei forças para um filho homem” era a resposta certa, mas Sage tinha visto mulheres sofrerem com gestações difíceis. A ideia de ter todo o esforço de dar à luz um bebê e ainda ter que pedir desculpas por isso acendeu uma chama incandescente dentro dela.
Ela ergueu os olhos.
— Vou dizer: “Não é linda?”.
— E depois?
— Vou esperar que meu marido diga que ela é quase tão linda quanto eu.
— Uma menina não tem serventia para um lorde. Você deve estar preparada para pedir desculpas.
Certa vez, Sage tinha perguntado ao pai se ele ficara chateado por ter tido apenas uma filha mulher. Ele a olhara nos olhos e respondera: “Jamais”.
— Sem meninas, não haveria meninos.

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