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Couro e Seda
— Eu nunca conheci um homem mais cínico do que você, Tyrone Wade — ela comentou com sinceridade.— Eu sou realista. Apenas não espero milagres.— Talvez seja por isso que eles nunca aconteçam com você.
Sinopse:
[Duologia Couro&Seda I] Quando Erin Scott deixou Ty Wade, jurou nunca mais voltar. Por causa dele, ela destruiu seu carro, sua carreira e perdeu o bebê. E agora Ty a queria de volta à sua vida e o futuro do Rancho Staghorn dependia de seu retorno. Sem ela, empregos seriam perdidos e Erin tinha grande apreço pela dedicada equipe do rancho. Mas como poderia encarar o homem que tanto a magoara — o homem com um coração de pedra e uma vontade tão resistente quanto o couro?
O que eu achei:
"Erin se aproximou dele. Era sempre ela que se aproximava, pensou. Ele nunca tomara iniciativa alguma. Deitava-se ao lado dela na cama, mas não a tocava se ela não pedisse." Essa história prometia um drama daqueles! Eu já comecei a leitura animada após ter lido Cilada do destino (onde Ty e Erin aprecem casados e pais de gêmeos), mas foi um banho de água fria, preciso dizer. Aqui acompanhamos a história de Erin, uma jovem bonita com uma carreira promissora como modelo, que se apaixonou por Ty quando ficou hospedada em seu rancho. A história já começa com os mocinhos separados e magoados, e temos apenas um resumo dos fatos: alguns meses antes eles dormiram juntos uma única vez, daí ele foi super babaca, ela ficou grávida, sofreu um acidente e perdeu o bebê. Então agora eles precisarão conviver no rancho pois Erin recebeu uma parte das terras do Ty como herança e também precisa de um lugar para se recuperar do acidente, e claro, a partir dessa convivência forçada a relação vai desabrochando.
Bem, em se tratando de Diana Palmer, eu já começo a leitura esperando que os heróis sejam uns grandessíssimos idiotas no começo das histórias. Daí temos as heroínas grandemente bondosas que amam incondicionalmente os heróis. O lado gratificante é que eles se arrependem e mudam pra melhor, adoro ver a mudança de pensamento e de postura do mocinho, adoro o choque de realidade, o remorso, a humildade, a reconquista, quando ele passa a correr atrás da mocinha finalmente demonstrando seu amor, tratando-a como uma princesa, um tesouro precioso >> infelizmente isso nunca aconteceu aqui.
Com os mexericos em torno deles dividindo o mesmo teto, eventualmente Ty propõe que eles se casem. Claro que eu esperava que a partir daí o herói fosse se redimindo e mudando pra melhor, mas a verdade é que Ty nunca precisou se esforçar minimamente na relação, ele não precisava, afinal era sempre [e facilmente] perdoado. Eu acho que em alguns casos um bom final feliz é uma separação definitiva do casal, e pra mim Erin nunca devia ter voltado pra ele no final (pelo menos não do jeito que foi, com ela dando o primeiro passo para a reconciliação pela milésima vez). Estou indignada aqui, rs.
Ty e Erin são um casal com uma comunicação pífia, e isso até o fim, as coisas não mudam, ele é um asno, não amadurece, não luta pela mocinha, continuava a falar um monte de besteira quando estava com raiva, e era sempre a Erin que tinha que correr atrás dele. Caramba, ele não comprou uma mísera televisão para a esposa — "espero que você goste de ler, pois não tenho e não gosto de televisão". Não sei porque esse detalhe ficou na minha cabeça, talvez por ser algo tão fácil de se resolver, eu juro que esperei pelo momento em que ele chegaria em casa com uma tv, simplesmente porque ELA gostava de assistir, apenas um gesto de carinho que nunca aconteceu. Compare a mesma situação, porém em outro livro: "Enquanto caminho, acendo as luzes da casa deixando-a bem iluminada, raramente faço isso, gosto de me manter no escuro, mas hoje, depois que ela se foi instalaram tv a cabo, internet e espalharam vários eletrônicos pela casa. Anira não foi criada como eu, que pouco me importo com tais coisas, prefiro sempre um bom livro para matar o tempo. Mas ela foi criada como humana por toda sua vida e pensar em seu conforto é de fato minha responsabilidade, assim como abasteceram a dispensa com coisas de que ela gosta de comer.". (Condenado à escuridão, Dani Medina). É isso o que eu quero ver num romance, um homem dizendo eu te amo nos pequenos gestos, mas Ty nunca disse eu te amo em atitudes. E eu não gostei disso.
A única coisa que gostei no Ty foi o fato dele não ser um mulherengo (ele era tão inexperiente quanto a mocinha, o que achei legal), mas de resto, é um antipático, seco, egocêntrico, nada atrativo, um homem que não sabia e nem queria ser feliz. Erin merecia mais, pois gostei da personagem. Mas pelo menos já vi que a relação deu certo em Cilada do destino, ufa. E uma canção para hoje: É você (Marisa Monte & Tribalistas) "é você, só você que na vida vai comigo agora... é você, só você que invadiu o centro do espelho... na vida só resta seguir um risco, um passo, um gesto rio afora".

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