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Os mistérios de Sir. Richard
Richard pensou nas mulheres que havia considerado antes de Iris. Não se lembrava muito delas, apenas que pareciam estar sempre dançando, ou sendo cortejadas, ou batendo no braço dele com um leque. Elas exigiam atenção. Já Iris merecia atenção. (...) Iris Smythe-Smith era, sem dúvida, o acidente mais feliz de sua vida.
Sinopse:
Livro IV, Smythe-Smiths
Sir. Richard Kenworth tem menos de um mês para encontrar uma esposa. Por isso sabe que não pode ser muito exigente. Mas, quando vê Iris Smythe-Smith ao violoncelo no tradicionalmente desafinado recital de sua família, pensa que o destino trabalhou a seu favor. Ela é o tipo de garota que não atrai muitos olhares, porém algo o faz ter certeza de que ela é a escolha perfeita. Iris Smythe-Smith já se acostumou a ser subestimada… Com seu cabelo muito claro, a aparência pálida e frágil e o jeito discreto, ela quase sempre passa despercebida, ainda que seja a única do quarteto Smythe-Smith que realmente sabe tocar um instrumento – não que alguém consiga escutá-la em meio à cacofonia dos concertos. Por isso, quando o charmoso Richard Kenworthy pede para ser apresentado a ela, Iris fica envaidecida, mas também desconfiada. E quando o pedido de casamento dele se transforma numa situação comprometedora, Iris tem a sensação de que ele está escondendo algo… Ainda que Richard pareça mesmo apaixonado e que o coração dela esteja implorando para que diga sim.
Do quarteto Smythe-Smith, esse foi o mais intenso pra mim, o que me mais me comoveu, eu senti a dor dos personagens, a frustração, o amor, o desejo, a decepção... tudo. Nossos protagonistas se conhecem no famoso recital da família Smythe-Smith e dentro de uma semana já estão casados, tudo porque, sob circunstâncias suspeitas, Sir Richard comprometeu a jovem de modo que não tivesse escolha a não ser a de se casar com ele. Passa-se muito tempo e ela estranha o fato deles nunca consumarem o casamento. E o drama é o seguinte: Richard tem uma irmã solteira que está grávida, ela afirma que o pai do bebê morreu (o que é a maior mentira) e para salvar a reputação da sua irmã ele se casa às pressas com a Iris para forçá-la a fingir uma gravidez e assim criarem o filho da irmã como uma criança legítima. Naturalmente, ele não contava com o imenso amor que passaria a sentir pela esposa.
Ela era o tipo de garota que não chamava atenção. Entretanto, Richard não conseguia tirar os olhos dela. (...) Ninguém sairia dessa situação com o coração intacto.
Eu entendo o porquê de algumas leitoras não terem curtido esse livro, o fato do Richard querer sacrificar o próprio casamento e a herança dos futuros filhos para ajudar a irmã (que era insuportável e mal agradecida) mexe muito com a gente e faz brotar um sentimento de injustiça. É impossível não tomar parte no sofrimento da Iris. Um ponto muito triste é que ela vivia pensando que o marido não a desejava como mulher, que não era atraente pra ele – o que estava longe de ser verdade, claro –, é que nossa florzinha passou a vida se sentindo 'apagada' e sendo constantemente ignorada pelos homens nos bailes. Eu sinceramente só queria abraçá-la e dizer que tudo ia dar certo. Também queria que o Richard tivesse tido umas aulinhas com o Simon (de O duque e eu) para entender como funciona o coitus interruptus, kk, estou supondo que ele não sabia como funcionava. Meu plano B seria apresentar o filho da Fleur como um sobrinho órfão distante, que eles acolheriam, ou simplesmente pôr em prática a ideia da própria Fleur: "por que você não pode me estabelecer em algum lugar como se eu fosse uma jovem viúva?". Claro que o Richard manipulou a situação a seu favor e de sua família, e magoou a esposa desnecessariamente... mas ao mesmo tempo eu me compadecia dele, queria perdoá-lo, confortá-lo, tal como a Iris. É que tem algo que nos comove na forma como o Richard é apresentado: humano, real, falho, alguém que acredita que os fins justificam os meios. É importante ressaltar que ele também foi enganado (quanto ao pai do bebê), e no fim provou seu amor pela esposa colocando a felicidade dela à frente de tudo, se redimiu lindamente buscando uma solução antes mesmo de saber toda a verdade sobre a irmã. Dava pra sentir o quanto ele não suportava mais vê-la sofrer, o quanto sentiu na pele a privação de um casamento normal com ela, e o quanto foi enxergando a mulher extraordinária que tinha diante de si. Em alguns momentos, ele me lembrou a Portia de A marquesa de Havisham (Lorraine Heath), uma heroína imperfeita. E cabe aqui uma pausa pra falar da química desse casal, cada cena entre eles me rendia muita expectativa de que enfim iam ficar juntos e consumar o casamento. Mais que isso, o amor que vai nascendo entre eles é muito bem construído, sólido, sentimos os níveis de afeição e desejo aumentando gradativamente, o diálogo na biblioteca é uma das minhas cenas favoritas. Os mistérios de Sir Richard com certeza é um dos meus romances favoritos da JuQ, acho muito envolvente e apaixonante. Por fim, os livros que mais amei na série com certeza foram Simplesmente o paraíso e Os mistérios de Sir Richard. O primeiro é terno, este último, intenso. A soma de todos os beijos é um livro pra se divertir e Uma noite como esta pra se irritar, rs. Eu li que para os povos antigos as três pétalas da íris representavam sabedoria, fé e coragem, nossa mocinha não poderia ter um nome mais apropriado, né? Adoro a serenidade e a acuidade dessa heroína. Ouvindo hoje uma das minhas músicas favoritas da vida, e que pra mim combina com o casal: S'il suffisait d'aimer (Céline Dion - Se amar fosse suficiente) ''Eu sonho com seu rosto, sinto saudades do seu corpo / imagino-o fazendo parte do meu cenário / eu teria tanta coisa para lhe dizer, se eu soubesse como, como fazer com que ele leia nos meus pensamentos?''.♡
– Onde fica o fim do mundo? – Ela fez uma pausa, sorrindo.
– E isso importa?
– Acho que não.
Richard tomou a mão da esposa e beijou-a.
– O lugar onde estivermos nunca será importante – disse –, contanto que estejamos juntos.

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