Tempestades do sul

— Predestinação. Você me ensinou essa palavra. Lembra? E mais um milhão de outras. Mas predestinação era a minha favorita.

Sinopse:

[Série Bússola v.I] Tudo o que Kennedy queria era fugir. Fugir de um casamento fracassado e sem amor, cheio de traumas e mágoas. E é na pequena cidade de Havenbarrow que ela busca um recomeço. Ao lado da irmã, ela acredita que finalmente está em paz para passar por seu processo de cura. O que ela não imaginava era que acabaria caindo logo de cara nos braços do sujeito considerado a ovelha negra da cidade. E o pior, eles já se conheciam de um passado muito remoto. Jax e Kennedy frequentaram o mesmo acampamento de verão quando eram mais novos, mas os dois não se viam fazia muito tempo. Hoje, são duas pessoas completamente diferentes. Um homem frio, com um passado sombrio, Jax é um cara bem diferente do jovem que Kennedy um dia conheceu. Só que ninguém imagina que até a ovelha negra da cidade precisa de um ombro amigo em algum momento. Por trás de toda aquela pose de bad boy de Jax, existe um enorme coração, que já sofreu muito. Quando o passado dos dois volta para assombrá-los, eles se dão conta de que precisam encarar de frente a tempestade que os espera.


O que eu achei:

Acho que já li isso antes... deve ser porque essa aura deprimente está presente em todos os livros da autora, protagonistas devastados pelo luto e pela culpa, um tentando remendar o outro, coincidências, reencontro do destino, traumas com os pais, cidadezinha pequena e vizinhos fofoqueiros... um repeteco de outros livros. E preciso dizer que esse livro tem flashbacks, um montão deles (não sou fã desse recurso, mas ok), Jax e Kennedy são bonitinhos com seus onze, doze anos, a Kennedy é retratada como uma fadinha nessa fase, cantando com os pássaros, latindo para as pessoas (que doideira), enquanto Jax é um menino sensível e tímido que passa uns perrengues em casa, eles me lembram Ellie e Carl de Up: altas aventuras (2009) quando crianças. Esses amigos de infância se reencontram após muitos anos quando acabam se tornando vizinhos. Kennedy está saindo de um casamento ruim, ela perdeu a filha e os pais num acidente de carro, e sente muita culpa. O Jax também se sente culpado pela morte da mãe, o que cria uma conexão entre eles. Nada de novo até aqui, mas preciso dizer, no quesito romance, Jax e Kennedy são fraquinhos, por mais que a autora se esforce para nos fazer simpatizar com o casal e sentir emoção, eles não têm aquela coisa especial, só pareciam muito forçados pra mim. Isso foi o que mais me incomodou. Até os apelidos que eles davam um ao outro: "Sol e Lua", eram estranhamente forçados e constrangedores.

Quanto à situação envolvendo a morte da mãe do Jax, não gostei de como tudo se desenvolveu e terminou. Eu já pressentia que o Jax não era o verdadeiro culpado: Jax e Derek (o irmão mais velho) estavam com armas na ocasião, Derek estava forçando Jax a atirar num cervo, a mãe deles apareceu na floresta do nada e levou um tiro fatal. Um acidente que eu não entendi direito como aconteceu. Como é que não teve polícia envolvida? Não examinaram as armas dos garotos? Dei uma pesquisada e li que "peritos utilizam a balística para conectar armas e projéteis a cenas de crime (ou em acidentes com armas de fogo, pelo que entendi), o exame procura identificar a dinâmica, a materialidade e a autoria dos fatos.". Ou seja, descobrir qual arma foi usada numa situação dessas, a identidade de quem a disparou e o proprietário da arma são requisitos básicos de uma investigação (explicação da internet).

Foi Derek quem atirou (acho que sem querer). Mas Jax acreditou que acertou a mãe mesmo sem nunca ter atirado, e pior, seu irmão confirmou e o culpou por covardia, o que obviamente deixou Jax com fortes feridas emocionais. A questão é que ao confessar o que fez para Kennedy, já no final da trama, Derek disse: "Fui eu. Eu apertei o gatilho. A trava de segurança da arma dele estava engatada. Ele não destravou a arma.". Enfim, acho irrealista não ter havido uma simples investigação numa morte causada por arma de fogo, mesmo que acidental, também não há justificativa para o que o Derek fez: ocultar por tantos anos esse segredo do irmão, sabendo que esse peso afetava a saúde mental do Jax, sendo que o Derek adulto parecia se importar com o Jax. Também não vi coerência em ver o Jax tão devotado aos cuidados com seu genitor, o cara o surrou, torturou e maltratou, mas ele ficou ao lado do traste até o ultimo suspiro. Eu não sou tão evoluída assim, rs. Sinceramente, eu jamais teria uma relação próxima com o meu irmão depois daquilo tudo, perdoar não significa conviver numa boa com alguém que te torturou psicologicamente durante toda a sua vida (e foi isso o que o Derek fez). Perdoar é tipo tirar um peso dos ombros, ficar em paz, viver a vida sem ódio corroendo o coração, mas conviver exige confiança. O final dos irmãos é: Jax convidando Derek para pintar a casa onde cresceram, como se tudo pudesse ser apagado. Eu hein...

Claro que o epílogo é aquele clássico comercial de margarina (que normalmente eu amo, lá está o casal anos depois, super feliz e com um bebê a caminho) mas aqui [de novo] é tudo tão forçado e artificial. Convenientemente, eles têm uma menina, e a bebê recebe o nome da mãe do Jax e da primeira filha da Kennedy. Pra mim os personagens mais queridos e fofos desse livro foram Joy, a senhorinha fofa "Eu vou aonde encontro amor. O coração das pessoas que eu amo está aqui. Quando o amor for para outro lugar, com certeza irei atrás. Aqui é o meu refúgio até Deus me dizer que não é mais." e Connor, o sócio do Jax. Porém não fiquei com vontade de ler as outras história dessa série, e nem outros livros da Brittainy, não são muito o meu estilo de romance.

O que eu descobri até agora é que, quando penso em amor, eu penso em você.

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