Romance de fazenda
Irmãos Griffith
É preciso um caubói forte para aguentar um touro, e uma mulher forte para aguentar um caubói.
✩✩✩✩ Coração Selvagem
Sinopse: No primeiro volume da série Irmãos Griffith, o encontro entre um caubói pai solteiro e uma garota rica da cidade grande promete faíscas — e não só de conflito. Quando esses dois mundos colidem, a tensão é inevitável... e a atração, também! Para Christian Griffith, a regra é clara: “Se eu te dou carona na minha caminhonete, você deixa que eu abra a porta”. Ele já tem problemas demais, e a última coisa que precisava era de mais um. Acontece que a encrenqueira Cassandra Parker apareceu no rancho da família de Christian, sem ter onde morar, e está hospedada na casa dele. Mas isso nem é o pior — nem o fato de ela ficar se metendo nos assuntos da família. O verdadeiro problema é o anel de noivado no dedo dela. Cassandra tem um lema de vida: “Se for matar alguém, faça parecer um acidente, chore no funeral, nunca confesse e negue tudo”. Exilada de Nova York e presa em um rancho no interior, ela definitivamente não escolheu se tornar mais um dos problemas de Christian. Morar com um pai solteiro e suas filhas foi um rebaixamento do seu estilo de vida confortável na cidade, que ela só aceitou por um motivo: o desespero para salvar o emprego e o que restou da sua carreira. E não vai ser um caubói gostoso que vai conseguir laçá-la para que fique um segundo a mais do que o necessário. Ou será que vai?
O que eu achei: Um livro que foi me conquistando aos pouquinhos e [mais] um caubói para amarmos! Coração selvagem é um livro que reúne muitas coisas que aprecio num romance rural: aquele caubói apaixonante, a garota da cidade grande, os opostos que se atraem, a proximidade forçada, a vida na fazenda, a cidadezinha pacata, a família unida e ainda crianças fofas. Christian é um rancheiro viúvo e pai de duas garotas adoráveis. De natureza amorosa e gentil ele se apaixona praticamente de imediato por Cassandra, uma nova-iorquina intensa que se vê obrigada a passar uma temporada trabalhando no rancho dos Griffith. Justo ela que não gosta do campo, de animais ou de crianças. Nosso caubói é um doce, gostei da sua paciência, da maturidade emocional, sua dedicação às filhas e também do seu corpo de homem comum, com direito a uma barriguinha saliente (por que todos os heróis precisam ter um corpo sarado?), sério, ele era tão fofo, tão carinhoso, estou apaixonada, entrou pra minha lista dos melhores heróis de romance contemporâneo.
Talvez estivesse fora de mim. Ela não estava em busca de um relacionamento. Odiava esse rancho. Não gostava de crianças. Desprezava quase tudo sobre o meu estilo de vida. E, no entanto, era perfeita para ele.
Já a Cassandra trabalha com relações públicas e após um escândalo profissional foi deixada no rancho pelo noivo (um grande babaca) para trabalhar num projeto de revitalização. E na falta de acomodações ela se viu hospedada na cada do Christian e de suas filhas. Ela é uma mulher muito forte, tão forte que chegava a ser durona, rude e ácida às vezes (quase excessivamente)... e eu confesso que em alguns momentos ela me irritou com tanto azedume. Faltava dulçor na personagem. E me incomodava o jeito (curto e grosso) que tratava as filhas do Chris no começo: “eu não tenho um pingo de instinto maternal” e tudo bem ser assim, não querer ter filhos ou não curtir interagir com crianças, mas não acho que isso justifica a grosseria, inclusive achei super coerente (e bacana) ela não ter terminado a história grávida (como acontece na maioria dos romances), mas terminou sendo uma madrasta maravilhosa.
Aos poucos, eu fui entendendo o jeito da personagem e acabei por admirar a mulher que ela era, uma força da natureza, uma leoa, que se revelou uma companheira à altura do Chris, super leal a quem amava e que não levava desaforo pra casa (deu um sacode merecido no ex-noivo, no prefeito da cidade e na diretora da escola, hehe), e bem, ninguém é perfeito, e eu gosto muito de ser cativada por um personagem que muda de atitude, que se abre para novos sentimentos, que vai baixando a guarda (por isso que eu adoro os heróis de peito peludo da Diana Palmer) aprendendo a amar, se deixando amar, passando a fazer parte da vida das meninas, do rancho e do coração do seu caubói apaixonado.
— O que você tá fazendo, princesa?— Você me disse para colocar seu chapéu quando quisesse ser sua. — Ela jogou o cabelo para o lado e colocou meu chapéu na cabeça, os olhos faiscando na escuridão. — E eu quero ser sua.
E a química entre Christian e Cassandra é muito bacana, tudo vai evoluindo de uma maneira muito natural entre o casal (amei o pedido de casamento), e as cenas picantes são bem escritas. Coração selvagem não é um desses romances sem uma história gostosa e profunda e só com um montão de cena sexo preenchendo as páginas, aqui tem um montão de cena de sexo, claro, porém com a história bonita acontecendo, tem o arco do crescimento da heroína fluindo, tem a dinâmica familiar envolvente que acalenta o coração e um ritmo gostoso de ler, que nem se apressa e nem se estende desnecessariamente nos conflitos. No final tem um momento bem tenso envolvendo o acidente do Ray (irmão do Chris), que ficou paraplégico e sua história é contada na sequência...
✩ Coração Destemido
Sinopse: No segundo livro da série Irmãos Griffith, prepare-se para um romance quente no rancho, com uma heroína caótica, um herói ranzinza — e brincadeiras com cordas na cama! Ray Griffith acredita que ter um plano B é coisa de quem já espera perder. No entanto, após uma experiência de quase morte, ele descobre que nem sempre vale tudo por uma fivela de campeão de rodeio. De volta ao rancho da família, o lugar que abandonou sem a menor intenção de retornar, ele se vê amarrado a uma funcionária que é um desastre ambulante... e que parece estar tentando atear fogo na casa. Brooke, a funcionária de Ray, tem um longo histórico de demissões. Para manter esse emprego, ela sabe que precisa evitar irritar o montador de touros ranzinza — o que parece ser uma tarefa impossível. Apesar da dinâmica desastrosa, os dois descobrem que suas brigas escondem uma química inigualável, intensa até o último fio de cabelo — e até o último nó do laço de Ray.
O que eu achei: Assim que terminei Coração selvagem corri pra ler Coração destemido. O livro anterior terminou com o grave acidente do Ray e eu queria ver como seria sua recuperação, adaptação à nova realidade e sua história de amor. Eu estava muito mais animada por esse livro do que estive pelo primeiro, mas foi tão decepcionante que terminei abandonando (a cena do bar, em que a Brooke monta num touro mecânico com os seios de fora foi o meu limite). Eu gostei de acompanhar um protagonista com paraplegia nesse livro, pois foram poucos os romances que li com pcd em foco. Aqui rola uma passagem de tempo e o Ray passa de tetraplégico para paraplégico que até arriscava uns passinhos às vezes... e ele vive uma paixão caliente com sua cuidadora avoada. Bem, eu esperava outro caminho narrativo, bem mais emocionante e profundo, e compreendi a raiva e o mau humor dele por ter sempre alguém tendo que dar uma mãozinha nas coisas mais básicas da vida e por odiar não ser mais o peão independente que costumava ser, mas não achei justo o Ray esconder sua melhora da família, da mãe que sofria tanto e dos irmãos que se preocupavam, o cara ficou mais de um ano sem dirigir uma palavra ou um olhar para as sobrinhas que dizia amar como filhas. Todo ato de amor e cuidado eram encarados como piedade, e eu nunca enxerguei assim.
Mas o pior de tudo nesse livro foi a mocinha da história: a destrambelhada, feliz e radiante Brooke. A cuidadora que é descrita falando com os animaizinhos, com as plantinhas, confundindo os remédios e as refeições dos pacientes e sempre chegando atrasada. Por que ela era uma cuidadora, afinal? Ela foi dispensada por 9 pacientes! Ah, mas a autora tentou vender sua heroína como a coisa mais fofa, ingênua e desastrada do mundo, tão Pollyanna, tão sorridente... pra mim era a coisa mais irritante e irresponsável, isso sim (a arrisco dizer, com um parafuso solto). Eu também detestei o quão infantil a Brooke parecia, ela tinha 22 anos mas agia como uma criança tentando fazer coisas de adulto, incapaz de fritar um ovo sem botar fogo na casa (era pra ser engraçado?), incapaz de chegar na hora uma única vez, absurdamente ingênua com os colegas de casa (o tipo que aceita doce de estranhos e ainda sai por aí contando que vai receber uma herança). O carro dela precisava de troca de óleo e o que ela fez? Colou um adesivo sorridente na luz do motor (porque é isso o que pessoas felizes fazem). Caramba, ela chama o Ray de paizinho, argh, isso NÃO é sexy, é perturbador. A primeira vez do casal é estranha e desconfortável bem como todo o resto. Eu não gostei do bdsm aqui, da personalidade dos personagens (uma dinâmica grumpy-sunshine e chefe/funcionário que não deu certo), da subtrama das invasões e sinceramente nem quis saber como tudo terminou. Um perda de tempo, uma porcaria.

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