★★★★
Ligeiramente maliciosos
– Correndo o risco de soar insensível, fico feliz por ter chovido naquele dia e por não ter prestado atenção aos avisos para não seguirmos viagem. Fico feliz por a diligência ter tombado naquele fosso. Como nossas vidas seriam diferentes hoje se essas coisas não tivessem acontecido!– Ou se eu tivesse dito não quando você se ofereceu para me levar a cavalo – completou Judith. – O não estava na ponta da língua. Nunca havia feito nada tão impróprio antes. Mas resolvi roubar um pequeno sonho para mim, que acabou se tornando o resto da minha vida. Rannulf, amo tanto, tanto, você. Gostaria que existissem palavras adequadas para descrever esse sentimento.– Não há – disse ele, beijando a mão dela. – Mesmo quando fizermos amor, isso não expressará adequadamente o amor em si. O amor não é físico, mental ou emocional. É maior do que qualquer uma dessas coisas. É a verdadeira essência da própria vida, não concorda? Esse grande mistério que não se pode expressar, que passamos a compreender melhor através da descoberta do ser amado.
Sinopse:
2º volume da Série Os Bedwyns
Após sofrer um acidente com a diligência em que viajava, Judith Law fica presa à beira da estrada no que parece ser o pior dia de sua vida. No entanto, sua sorte muda quando é resgatada por Ralf Bedard, um atraente cavaleiro que se prontifica a levá-la até a estalagem mais próxima. Filha de um rigoroso pastor, Judith vê no convite do Sr. Bedard a chance de experimentar uma aventura e se apresenta como Claire Campbell, uma atriz independente e confiante, a caminho de York para interpretar um novo papel. A atração entre o casal é instantânea e, num jogo de mentiras, a jovem dama acaba se entregando a uma inesquecível noite de amor. Judith só não desconfia de que não é a única a usar uma identidade falsa. Ralf Bedard é ninguém menos do que lorde Rannulf Bedwyn, irmão do duque de Bewcastle, que partia para Grandmaison Park a fim de cortejar sua futura noiva: a Srta. Julianne Effingham, prima de Judith. Quando os dois se reencontram e as máscaras caem, eles precisam tomar uma decisão: seguir com seus papéis de acordo com o que todos consideram socialmente aceitável ou se entregar a um amor improvável? Neste segundo livro da série Os Bedwyns, Mary Balogh nos conquista com mais um capítulo dessa família que, em meio ao deslumbramento da alta sociedade, busca sempre o amor verdadeiro.
O que eu achei:
Ah, esse livro com certeza foi mais empolgante que o primeiro da série. A trama já começou me prendendo completamente na narrativa. Masssss, lá na frente fica arrastadinho e uma ressalva: confesso que achei a mocinha um tanto imprudente para os padrões da época (e até para os dias atuais) – ter a sua primeira vez com um homem que nunca viu na vida, e, ainda por cima, deixando-o pensar que ela era uma prostituta? Oi!?! Independente da época ou das suas frustrações, ela foi bem doidinha e sem noção. Mas ok, a autora consegue explicar razoavelmente bem as caraminholas que se passam na cabecinha ruiva da nossa heroína, que não parece muito resignada a ter uma vida sem qualquer expectativa amorosa ou aventuras. A Judith é, antes de qualquer coisa, uma grande sonhadora com fome de aventuras, que não quer passar pela vida sem ter vivido emoções arrebatadoras... Mas na minha opinião, se fosse vida real, nossa mocinha poderia ter ser dado muito mal nessa história. Sorte a dela que não acabou grávida de uma criança bastarda ou que não foi maltratada, dado o papel que ela assumiu. Mas enfim, fora isso, nossos protagonistas têm cenas muito românticas lá pela frente e a construção da história e da personalidade dos personagens foi muito bem desenvolvida. O Rannulf é um cara adorável, gostei bastante desse personagem. E a Judith é um amorzinho... Quem curte um romance de época gostosinho de ler e com umas cenas mais calientes e dengosinhas vai gostar bastante.
Au revoir, leitoras que abraçam livros e sorri para eles na estante.
– Ora, Judith – disse o seu pai –, durante anos eu tive muito medo de que toda essa beleza fosse ser arrebatada por um homem que não conseguisse ver abaixo da superfície. Mas acho que você conseguiu evitar esse destino tão comum a mulheres extraordinariamente belas.

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