★★★
A dama da meia-noite
– Você não pode me deixar – disse ela. – O mundo vai voltar a nos unir. Você não percebeu isso? Estamos destinados a ficar juntos.
Sinopse:
3º volume - Spindle Cove
Pode um amor avassalador apagar as marcas de um passado sombrio? Após anos lutando por sua vida, a doce professora de piano, Srta. Kate Taylor, encontrou um lar e amizades eternas em Spindle Cove. Mas seu coração nunca parou de buscar desesperadamente a verdade sobre o seu passado. Em seu rosto, uma mancha cor-de-vinho é a única marca que ela possui de seu nascimento. Não há documentos, pistas, e nem ao menos lembranças… Depois de uma visita desanimadora para sua ex-professora, que se recusa a dizer qualquer coisa para Kate, ela conta apenas com a bondade de um morador de Spindle Cove, o misterioso, frio e lindo, Cabo Thorne, para voltar para casa em segurança. Embora Kate inicialmente sinta-se intimidada por sua escolta, uma atração mútua surge entre os dois durante a viagem. Ao chegar de volta à pensão onde mora, Kate fica surpresa ao encontrar um grupo de aristocratas que afirma ser sua família. Extremamente desconfiado, Thorne propõe um noivado fictício à Kate, permitindo-lhe ficar ao seu lado para protegê-la e descobrir as reais intenções daquela família. Mas o noivado falso traz à tona sentimentos genuínos, assim como respostas às perguntas de Kate. Acostumado com combates e campos de batalhas, Thorne se vê na pior guerra que poderia imaginar. Ele guarda um segredo sobre Kate e fará de tudo para protegê-la de qualquer mal que se atreva atravessar seu caminho, seja uma suposta família oportunista… ou até ele mesmo.
O que eu achei:
A dama da meia-noite foi um livro meio doido. Com direito a um grande mix de cenas: umas sem pé nem cabeça, outras divertidas, outras calientes (até demais, kk), outras chatas, algumas mais chatas ainda... E por aí vai... No geral, o livro não chega a ser completamente decepcionante, mas também não deixa marcas. E o triste é que o romance tinha tudo pra ser incrível, afinal, quem não ama o típico herói durão e sisudo que se apaixona pela típica mocinha delicada e boazinha? Não sei como a autora perdeu o rumo do que, a meu ver, quase sempre é uma aposta certeira e infalível para romances de época. O enredo começou muito gostosinho e fofo, mas foi caindo lamentavelmente... O problema não era nem os protagonistas. Após muitos anos de sofrimento, Samuel Thorne se torna um soldado austero e antissocial. Quando crianças, ele e Katie moravam num bordel, onde suas mães trabalhavam. Para salvá-la do mesmo destino, ele foge de lá, levando-a e deixando-a numa escola/abrigo para abandonados. O tempo passa, ele vai preso e sofre um bocado, se tornando um homem super fechado para o mundo. Anos depois, eles se reencontram em Spindle Cove, onde ela é a professora de música da vila. A princípio ela não se lembra dele nem do passado que compartilharam, e ele faz de tudo para mantê-la distante do coração. E por aí vai se desenrolando o romance. O problema maior do livro foi a quantidade de elementos improváveis. A história teria sido infinitamente melhor se tivesse ficado nesse pé, de amor que muda e aproxima as pessoas, de superação e tal, mas a autora inventou de transformar a Katie numa herdeira há muito tempo desaparecida. Foi muito chata essa reviravolta. Os Gramercys (a família perdida) não acrescentaram em nada à história e a mocinha era de uma ingenuidade que beirava a burrice. A cena do duelo e da prisão do Thorne foi patética e achei que a Tessa viajou na maionese em muitas cenas. Mas é isso, não dá pra acertar sempre, não é?
– Katie, você sabe a vida que eu tive. Foi bruta, sanguinolenta e cruel, e eu não sei se algum dia vou poder lhe dar o tipo de carinho que você merece. Você me disse que eu a amava... Mas eu não tinha como ter certeza. Eu não entendia o que “amar” significava, ou de que modo um homem como eu pode sentir uma coisa dessas.– Está tudo bem. – disse ela – Eu não preciso das palavras.– Mas mesmo assim, eu trouxe algumas palavras. “O amor é composto por uma única alma que habita dois corpos.” É Aristóteles. Eu pesquisei um pouco. Eu nunca achei que filosofia grega pudesse fazer sentido para mim. E a maior parte não faz, mas essas palavras pareceram corretas. Isso pareceu verdade para mim. Se algum dia eu tive uma alma, Katie, acho que a deixei com você há vinte anos. E agora, é como se toda vez que nos beijamos, você me devolve um pedaço dela.

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