Romance entre rendas

Ela se recusava a se considerar errada por desejar ser útil. Tinha 22 anos e sua vida, até aquele momento, era um belo castelo vazio. Ansiava por algo mais.
...
– Eu pensava que o que me sufocava era a minha vida – disse Clara. – Mas percebo que não faz diferença em que mundo eu vivo. A diferença é o homem que tenho ao meu lado.

Sinopse:

Livro IV - As modistas

Que lady Clara Fairfax é dona de uma beleza estonteante, Londres inteira já sabe. Mas a fila de pretendentes que bate à porta de sua casa com propostas de casamento já está irritando a jovem. Cansada de ser vista apenas como um ornamento, Clara decide afastar-se um pouco da alta sociedade e se dedicar à caridade. Um dia, numa visita a uma obra social, ela depara com uma garota em perigo e pede ajuda ao alto, sombrio e enervante advogado Oliver Radford. Radford sempre foi avesso à nobreza, mas, para sua surpresa, pode vir a se tornar o próximo duque de Malvern. Embora queira manter sua relação com Clara no campo estritamente profissional, aos poucos ele percebe que ela, além de linda, é inteligente, sensível e corajosa. E quando a perspectiva de casamento se aproxima, tudo o que Radford pode fazer é tentar não perder a cabeça por Clara. Será que a herdeira mais adorada da sociedade e o solteiro menos acessível de Londres serão vítimas de seus próprios desejos? Em Romance entre rendas, livro que encerra a Série As Modistas, Loretta Chase nos brinda com uma história envolvente e cheia de paixão, com personagens fortes e marcantes.


O que eu achei:

Como eu curti Volúpia de veludo, comecei o desfecho da série animadinha, desejando que a Clara ganhasse meu coração de leitora, ela não foi uma personagem pela qual nutri grande simpatia, digamos. Clara é uma lady superprotegida que anseia por liberdade e aventuras pra fugir da sua gaiola dourada, a pobrezinha é muito rica e bela e sente tédio com sua condição, rs. O maior problema da trama é o fio condutor: uma conhecida pede para Clara encontrar seu irmão desaparecido e problemático, e então a lady rica sai rodando Londres à procura de um completo estranho que entrou para uma gangue (se metendo em encrencas no meio disso, como por exemplo ter sua reputação ameaçada e quase morrer de uma doença que pegou num lugar imundo). Engraçado é que a própria irmã do rapaz não se envolveu na busca e ficou de boas. Minha suspensão de descrença ficou apitando de instante em instante. Quando foi que a Clara se tornou essa boa samaritana com tão forte consciência social? Bom senso mandou lembranças. Sério, essa trama paralela das gangues foi sofrível de acompanhar.

Já do Oliver eu gostei mais. Ele era rude e interessante ao mesmo tempo, algo em comum com outros heróis temperamentais e inteligentes, como o Dr. Piers (de Quando a bela domou a fera) e o matemático Hugh (de A soma de todos os beijos), uma mistura de Dr. House com advogado criminalista que deu certo. Gostava dos momentos em que ele dialogava com seu eu-interior, que carinhosamente chamava de "o irracional", quando tentava não se deixar levar pelo seu lado sentimental e passional. A química do casal é até boa, embora alguns diálogos sejam forçadinhos e entediantes. Só é uma pena que quando finalmente temos uma mocinho que não é rico e que sofre de problemas financeiros, como a maioria de nós, meros mortais, a autora o enriqueça com uma herança e um título mais pra frente. As irmãs modistas que dão título à série tiveram uma participação bem modesta aqui e a série, como um todo, é meio lenta embora as histórias sejam bacaninhas, o meu favorito foi o terceiro livro (Volúpia de veludo).

Quando uma dama se casa com um cavalheiro de caráter e qualidade, em todos os aspectos adequados a ela, exceto no tocante às suas propriedades, que não são iguais ao que ela poderia esperar, eu não chamaria a união de desigual.

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