★★★★
Volúpia de veludo
– Amanhã, nós dois iremos à caça.– Nós dois – repetiu ela.– Nós temos um problema. Preciso do seu cérebro. Aquele que limitou cem possibilidades a apenas duas. Esse cérebro. Amo esse cérebro.
Sinopse:
Livro III - As modistas
Simon Fairfax, o fatalmente charmoso marquês de Lisburne, acaba de retornar relutantemente a Londres para cumprir uma obrigação familiar. Ainda assim, ele arranja tempo para seduzir Leonie Noirot, sócia da Maison Noirot. Só que, para a modista, o refinado ateliê vem sempre em primeiro lugar, e ela está mais preocupada com a missão de transformar a deselegante prima do marquês em um lindo cisne do que com assuntos românticos. Simon, porém, está tão obcecado em conquistá-la que não é capaz de apreciar a inteligência da moça, que tem um talento incrível para inventar curvas – e lucros. Ela resolve então ensinar-lhe uma lição propondo uma aposta que vai mudar a atitude dele de uma vez por todas. Ou será que a maior mudança da temporada acabará acontecendo dentro de Leonie? Volúpia de veludo, terceiro livro da Série As Modistas, é uma história de amor envolvente, com personagens femininas fortes e determinadas que transitam com perfeição entre o romantismo e a sensualidade.
O que eu achei:
Até agora foi o melhor da série pra mim. Tem sim uma enrolação no começo e os protagonistas demoram um pouco pra te conquistar... e a verdade é que eu estava meio desanimada com a série, até que, já perto da metade, o livro deu a volta por cima e me ganhou, e olha que eu não dava nada pela história, hehe. É claro que Volúpia de veludo tem suas falhas, pegando a deixa dos anteriores, o começo é maçante, tem umas coisas sem sentido no enredo e a descrição de vestidos e seus detalhes é cansativa. Mas a boa notícia é que permanece uma delicinha até o fim. A mocinha é decidida e forte e combina perfeitamente com o mocinho, o livro tem um bom pano de fundo e uma atenção maior para o desenvolvimento de uma história de amor dinâmica, divertida e envolvente entre o casal principal. E já posso dizer que das três irmãs, a Leonie é a minha favorita. E ainda bem que a Gladys e o Swanton não roubaram muitas cenas (o que infelizmente acontece em Escândalo de cetim, com a Clara e seus dramas roubando muitas cenas dos protagonistas). Aqui o casal tem a oportunidade de brilhar por mérito próprio.
– Cento e dois metros de princetta preta a doze xelins e nove pence o metro. – Ela continuou a ler a conta, enquanto ele a beijava, murmurando em seu ouvido, encorajando-a.– Mais números – sussurrou ele. – Mais números... Leonie, Leonie, quando você fala de números, me deixa louco.
O Lisburne é um galanteador inveterado com uma veia poética, um tantinho metido, adora bancar o engraçadinho e lançar seu charme à população feminina (embora não seja um libertino cafajeste, típico dos romances de época). Quando conhece a Leonie, se imagina tendo um caso com a modista para compensar o tédio de sua estadia em Londres e se empenha em conquistar a ruivinha matemática. O que ele não sabe é que ela é uma Noirot, descendente dos inescrupulosos DeLucey, e portanto, não será nada fácil levar a mais jovem das irmãs na conversa fiada. E é claro, o feitiço logo vira contra o feiticeiro e ele se vê apaixonadíssimo. Mas o que a sensata, séria e reservada Leonie não sabe é que ele também é descendente dos DeLucey, haha, e portanto, não vai ser nada fácil resistir à conversa e ao charme do lorde. Quando, já no final, ela diz que sentia que ele era como os da sua família, ele brinca e diz: “é claro que sabia, é preciso um vigarista para reconhecer outro.” É claro que eles não são vigaristas de fato, eu diria que são sorrateiros e manipuladores, usando sempre as circunstâncias a seu favor, mas para o bem, quase sempre... rsrs. O fato é que Leonie e Lisburne conseguiram algo que Marcelline e Clevedon (de Sedução da seda) e Sophia e Longmore (de Escândalo de cetim) não conseguiram: aquecer meu coração e fazê-lo palpitar. Lindos demais, química muito bacana. O começo é entediante, é bem verdade, e portanto é um desses livros que você precisa insistir para se envolver. Mas super vale a pena. Nos vemos em Romance entre rendas.
Beijinhos.
– Eu amo você – disse ela, recostada em seu lenço de pescoço. – Como se escreve isso em uma coluna? Dois metros disso e seis varas daquilo. Como medir o amor, ou o que o provoca? Você sabe como acontece. Aquele garotinho aborrecido... Cupido ou Eros, ou quem quer que seja, ele lança sua flecha e você está perdido. O amor não pode ser medido ou pesado. Não é um pedaço de seda, tal quantidade de laços e esse ou aquele padrão de bordado. O que coloquei na coluna dos prós? Seus lindos olhos. O som da sua voz. O cheiro de sua pele. A maneira como amarra seu lenço. Anotei tudo isso, mas a soma não dá certo.

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