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O silêncio das águas
Serei a sua âncoraVou te abraçar nas noites difíceisVou ser o seu porto seguroNas marés solitárias e escurasserei o seu apoio, a sua luzPrometo que bem você vai ficarSerei a sua âncora,e juntos vamos ver essa batalha acabar
Sinopse:
Livro 3 – Série Elementos
Com apenas 10 anos, Maggie May já tem certeza de que se casará com Brooks Griffin, o melhor amigo de seu irmão. Mas ele foge dela a todo custo - a última coisa que os meninos nessa idade querem é ficar perto das meninas, eca! -, mas, no fundo, Brooks até que gosta daquela garota irritante, que vive dando risadinhas e saltitando atrás dele. Porém, naquele que seria o dia mais feliz da vida da pequena Maggie - o do seu casamento de mentirinha com Brooks -, ocorre algo terrível. Ela presencia um acontecimento aterrorizante à margem de um rio, e o trauma é tão grande que Maggie acaba perdendo a voz. Sem saber como lidar com o problema, a família se vê em uma posição difícil e tenta procurar ajuda, mas diverge quanto à melhor forma de fazer isso, e nenhum tratamento vai adiante. Ao longo dos anos, Maggie aprende sozinha a conviver com os ataques de pânico e, sem conseguir sair de casa, encontra refúgio nos livros. A única pessoa capaz de compreendê-la é Brooks, que está sempre ao seu lado. A paixonite de infância se transforma numa bela amizade na adolescência, até que um dia eles não conseguem mais negar o amor que sentem um pelo outro. Para Maggie, Brooks é seu porto seguro, o único que consegue ouvir seu silêncio. Para Brooks, Maggie é sua âncora, a pessoa que nunca desistirá dele. Mas será que o forte sentimento que os une poderá resistir a um acontecimento inesperado, que os forçará a navegar por caminhos diferentes?
O que eu achei:
Af que decepção, como curti A chama dentro de nós, estava com as expectativas altas em relação a esse daqui. E sim, comecei gostando da história e dos protagonistas. O amor infantil entre e Maggie e Brooks era muito bonitinho, embora eu tenha achado estranho duas crianças de 10 anos se beijando várias vezes. Sei lá, nessa idade a gente até pode ter uma paixonite fofa (como a de Meu primeiro amor), mas daí a beijar na boca e planejar casamento? Achei demais. Pra você não ficar boiando, o que acontece no tal lago é que a pequena Maggie vê um homem assassinar a esposa na margem, aí a tonta fica assistindo a tudo e ainda se revela, o cara (totalmente perturbado) corre atrás dela e chega a colocar as mãos em seu pescoço para sufocá-la, mas foge quando escuta que estão procurando-a no bosque. Aí ela fica com muito medo e resolve parar de falar e de sair de casa (isso aos dez anos de idade). Engraçado que até mais ou menos o décimo capítulo, eu não estava achando a história chata, estava fazendo vista grossa para os furos e as coisas que não faziam o menor sentido. Mas aí a narrativa começou a enrolar e enrolar, ficando cada vez mais monótona e não deu pra deixar de ver os absurdos da história. Vejam bem, a Maggie passa 18 anos dentro de casa sem falar com ninguém, ela só se comunicava escrevendo (ou seja, ela só põe os pés pra fora de casa e resolve falar aos 28 anos!). Dá pra acreditar? Eu ficava me perguntando como os pais (que aparentavam ser sensatos) simplesmente aceitaram a vontade de uma criança e não a levaram à terapia, e não tentaram ao máximo descobrir o que houve com a filha, mas deixaram a menina ficar sem ir à escola (a mãe larga o emprego pra ensiná-la em casa). Como ela passou 18 anos sem ir ao dentista, ao médico ou sem tomar sol, por exemplo? Ninguém soube que uma mulher foi assassinada no lago e juntou dois mais dois? Poxa, por que os pais não iniciaram uma investigação pra descobrir o que houve no tal bosque, como não obrigaram a criança a se tratar? Como deixaram uma menina de 10 anos resolver que o melhor era nunca mais sair e falar? Por que a terceira parte da história se passa vários anos no futuro???
E minha nossa, a história tem um tom extremamente melodramático e pouco convincente, no final, ela milagrosamente vence seus medos quando Brooks sofre um acidente e Maggie resolve finalmente sair para visitá-lo no hospital, e volta a falar para ajudá-lo a superar o trauma do acidente que o fez perder os dedos e quase morrer afogado (porque é claro que a autora tinha que inventar um trauma ainda mais melodramático para o herói já na última parte do livro, um segundo, preciso revirar os olhos). Caramba, a Maggie assistiu a mãe desistir do emprego pra ficar com ela em casa, viu a família sofrer dia após dia e o casamento dos pais ir por água abaixo por causa do problema dela, e nunca abriu a boca, nunca se dispôs a se tratar pelo bem estar deles. Mas pelo bem do Brooks (e apenas por ele, ou seja, nem por ela mesma), de uma hora para a outra, ela supera seus bloqueios. Aí pra quem passou quase duas décadas sem falar, de repente está falando pelos cotovelos, ligando para os familiares, apontando o criminoso, prestando depoimento (sem nem a voz tremer, como a autora faz questão de pontuar). E termina como a salvadora da pátria depois de ter deixado a família e o crush sofrendo por 18 anos. Por que não fez isso antes? Fiquei muito incomodada com essa superação simples e superficial, não despertou em mim qualquer emoção quando li. Ou melhor, deu foi raiva.
E mais, achei os outros personagens inconsistentes. Cheryl passa boa parte do livro sendo um asco com a Maggie, depois muda da água para o vinho, e vira uma irmã super legal. A mãe oscilava entre a vilania e a bondade, o que era estranho. O pai era chato e omisso. O Brooks era legal, mas a autora pesou tanto a mão no dramalhão que o casal meio que foi me "desconquistando", fui ficando indiferente a eles. E tantos capítulos na mesmice do sofrimento da coitadinha da Maggie foi me deixando mais e mais impaciente, a garota demora tanto a acordar pra vida, que quando acorda já é tarde pra causar simpatia ou comoção na gente. Ao contrário do livro anterior, onde a gente aprende com personagens sofridos, vê eles tentando dar a volta por cima, nesse eu só enxergava uma heroína fraca e acomodada, que não se esforçava minimante pra melhorar e deixar de ser uma constante preocupação para a família (como alguém que lia e estudava tanto não tentava um tratamento psicológico?). Acabei acelerando a leitura e pulando uns trechinhos só pra terminar. Uma pena, essa capa é a mais bonita da série... faz parte.
Au revoir.

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