Fascínio da nobreza

Nós somos o que nos fazemos ser.

Sinopse:

5º volume, Série Irmãos Trewlove

Fancy Trewlove sempre esteve determinada a cumprir o desejo de sua mãe de ver a filha casada com um nobre. Afinal, depois de todos os sacrifícios que a família fez por Fancy, era o mínimo que podiam esperar. Seu intelecto e sua formação a tornam a esposa perfeita para qualquer cavalheiro… desde que esteja disposto a ignorar sua origem escandalosa! Mas os planos da jovem são postos em xeque quando um plebeu misterioso começa a visitar sua livraria, e logo depois seus pensamentos, seus sonhos, seus planos para o futuro… Matthew  Sommersby, o conde de Rosemont, está viúvo há um ano e vem sendo perseguido por praticamente todas as damas em idade de se casar. A última coisa que ele quer, porém, é uma nova esposa, ainda mais uma interessada apenas em seu título. Desesperado por um pouco de paz, ele foge de sua vida em meio à sociedade e acaba se tornando vizinho de uma certa livraria, cuja dona começa a lhe atrair mais do que qualquer título no catálogo.


O que eu achei:

Um daqueles livros que você gosta e não gosta ao mesmo tempo, hehe. Mas vou ficar com o 'gostei', já que passei a maior parte da leitura entretida e porque o casal foi legal, com direito a muitas cenas românticas. Assim que o conde entra na livraria fica encantado com o jeitinho meigo da Fancy, aí conversando, ele percebe que ela é igual às outras debutantes: uma caçadora de títulos. Embora no caso da Fancy fosse mais para corresponder às expectativas da família e sim, ela tinha bastante liberdade na escolha de marido, pois sua família a amava e respeitava suas decisões (mas não deixava de ser meio superficial, né? A garota e seus familiares estavam com ideia fixa por um noivo lorde, e sei lá, por que isso era tão importante para os Trewlove, que nem cresceram em meio aos aristocratas?). Aí ele resolve pôr a mocinha à prova e conquistá-la escondendo o fato de que é um conde, e não apenas um conde qualquer, mas um muito cobiçado pelas jovens. O problema é que essa mentira demora muito pra se desenrolar, é o livro todinho amarrado por esse gancho, com a Fancy só descobrindo a verdade já perto do final. E já adianto que murchei no desfecho, a história enrola e enrola para o clímax de verdades vindo à tona e... falta emoção.

Apesar de ser meio chatinho e complicado, eu estava gostando do conde mentiroso. Compreendi seus receios. O drama dele era o seguinte: sua falecida esposa o colocou numa armadilha para levá-lo ao altar. Resumidamente, ela o levou ao jardim e encontrados numa situação comprometedora, tiveram que casar, ah, mas essa é velha, hein? E não é como se ela o tivesse obrigado a beijá-la e levantar suas saias, né? Então essa é a razão pela qual Matthew acha que Fancy (ou qualquer outra mulher) é interesseira. Claro, os pobres homens não passavam de vítimas nas mãos das mulheres... cara machista, exagerado e dramático. É como se a mocinha tivesse que dar provas de seu caráter constantemente. Aí nos capítulos finais, ocorre um mal-entendido, Fancy é que se torna vítima de um caça-dotes num baile e se vê comprometida com outro conde, e minha nossa, o Matthew (que já a ama e conhece bem a essa altura) reage super mal quando ela tenta lhe contar a situação. Humilha nossa mocinha, nem lhe dá o benefício da dúvida, quer dizer, ele nem aceita ouvir uma explicação, e já deduz que foi ela quem armou a situação, e não o contrário (ou seja, a vítima se torna a vilã, e unicamente por ser mulher). E em nenhum momento ele a deixa explicar, falar a sua versão. Ai, que raiva!!! Pra mim, o herói perdeu muitos pontos, e mais, ele só acredita quando a verdade sai da boca de outra pessoa. Poxa, tive vontade de entrar no livro e dá um chute no traseiro desse lorde chato e ridículo. Fiquei contando que a Fancy daria um gelo dos bons no Matthew. Sinceramente, eu gosto de ver um mocinho equivocado rastejar um pouquinho até conseguir o perdão da mocinha. Que nada, basta umas palavrinhas bonitas e ela o perdoa fácil e lindamente. Af. Não pude deixar de lembrar das palavras da Marcelline (uma das heroínas da série As modistas) quando disse: "Você é um homem. os homens são perdoados com presteza por coisas que, para as mulheres, não têm perdão." Fiquei um pouco decepcionada com o protagonista desse volume, confesso.

Ah, e uma observação, vocês também não acharam a vida da Fancy super liberal para a época? Não sou uma expert no assunto, mas já li muitos romances de época pra saber que tinha uns furos históricos em Fascínio da nobreza. A Fancy morava sozinha, mesmo sendo uma jovenzinha solteira, e tendo irmãos e mãe, e mesmo sendo uma moça de posses, não tinha nem criada, ficava me perguntando como seus irmãos permitiam isso, e afinal, como ela colocava o espartilho e aquelas intrincadas roupas vitorianas sozinha, e fazia seus penteados, e estava sempre linda e maravilhosa? A garota dirigia uma livraria, ia aonde queria, na hora que queria, sozinha ou acompanhada, ela quem decidia (cadê os irmãos super protetores?). Poderia ter sido menos fantasioso nessa questão, não acredito que as donzelas tinham essa liberdade toda. De modo geral, essa continuação da série foi bacana, nada espetacular, mas ok. Achei que os protagonistas funcionaram (apesar de ter precisado insistir na leitura pra gostar do par, não me cativaram de cara, e da reconciliação final não ter sido muito digna de nota, que digamos), e as cenas românticas e sensuais (bem apimentadinhas, ok?) estavam legais. No fim, ainda prefiro esse aos dois últimos volumes, as histórias protagonizadas por Finn e Aiden não me agradaram muito.

Au revoir, lindinhas.

Leia também – amor na vizinhança:

Acho muito fofinhas histórias de amor entre vizinhos. Então, nesse clima, listei outros romances pra vocês: Uma luz no outono (Carrie Elks), A arte de inventar o amor (Kristan Higgins), Um vizinho perfeito (Nora Roberts), Querido vizinho (Penelope Ward), Amanhã eu paro! (Gilles Legardinier), A escolha (Nicholas Sparks), Meu jeito certo de fazer tudo errado (Klara Castanho, Luiza Trigo), O que acontece em Londres (Julia Quinn), O ar que ele respira (Brittainy C. Cherry), Venetia e o libertino (Georgette Heyer), Fruto do pecado (Nora Roberts), O testamento (Nora Roberts), Onde mora o amor (Jill Mansell) e Encantado (Nora Roberts).



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