A tentação do bastardo

O amor ameniza a dor.

Sinopse:

6º volume, Série Irmãos Trewlove

Althea Stanwick era a dama perfeita, destinada a se casar com o lorde perfeito, até que uma traição deixa sua família sem título, sem dinheiro e sem perspectivas. Mas, apesar de ter perdido sua antiga vida, Althea arquiteta um plano escandaloso: se tornar perita na arte de seduzir, para poder controlar os homens que a esnobaram e retornar à sociedade em seus próprios termos. E ela até já tem um professor em mente. Benedict Trewlove, mais conhecido como Fera, pode não conhecer sua ascendência, mas sabe seu lugar: na parte mais sombria de Londres, oferecendo proteção a quem precisa. Quando uma beldade misteriosa, deslocada em meio ao vício e ao pecado, chama sua atenção, Fera não sabe se é seu instinto protetor falando ou algo mais complexo. Para descobrir, ele lhe oferece um emprego como tutora de suas protegidas. Ele só não esperava uma contraproposta…


O que eu achei:

Quando comprei A tentação do bastardo achei a sinopse desinteressante, por isso enrolei tanto pra finalizar a série, sentia que não ia gostar muito, e também estava desanimada depois dos últimos volumes, vocês já sabem que dos 5 livros lidos antes desse, só 2 tinham tocado meu coração (os volumes 1 e 2), mas aí eu comecei a ler e me surpreendi por gostar tanto, na metade do livro eu já achava que seria uma leitura 5 estrelas, mas aí o final desandou e desanimei de novo, rs. Vamos por partes: Thea e Benedict/Fera se conhecem quando ela passa a trabalhar no bar da Gillie (livro 2), os dois trocam aquele olhar 43 e rola uma atração instantânea. Ele propõe que ela seja tutora das garotas do bordel (que querem encontrar novas ocupações), ela topa, mas também bota na cabeça que quer aprender a ser uma cortesã. Tudo corre como o esperado e esses dois vão se apaixonando com a amizade que vai surgindo e com os beijos roubados. Apaixonada, Thea percebe que não quer ser cortesã e aceita se casar com Fera. E é um romance muito gostoso de ver acontecer, os diálogos são inteligentes, os personagens secundários são interessantes, há uma grande tensão sexual entre os protagonistas que prende a nossa atenção, e o Fera de protagonista rouba a cena, um dos heróis mais fofos e protetores dos romances de época. Mas demorei um pouco pra simpatizar com a Althea, parecia que ia ser uma mocinha chata, sabem? Também achei pouco crível ela propor que Fera a ensinasse ser uma sedutora para posteriormente se tornar uma cortesã exclusiva e badalada. Eu ainda entenderia se a jovem – uma donzela que vinha de uma família rica – não tivesse qualquer alternativa pra se sustentar, se estivesse em busca de vingança por ter sido seduzida e enganada por outros homens, etc., no entanto, a proposta dele (ser tutora das moças do bordel) era justa e vantajosa financeiramente e claro, os levaria ao mesmo fim – se apaixonariam. Para o contexto social da época achei difícil entender a cabeça da personagem, pois como a gente já viu em inúmeros romances de época, nenhuma garota entrava na prostituição por gosto, era quase sempre extrema necessidade e nenhum meio de sustento, o que não era o caso. Então como entender uma jovem inexperiente e 'bem-nascida' simplesmente querer se tornar cortesã porque sim...? Mas eu admito que deixei essa questão pra lá rapidamente porque me envolvi com a história e torci muito por eles, sinceramente, eu estava adorando o romance.

O maior problema, que fez o romance perder uma estrela pra mim, é que já perto do final acontece uma reviravolta pra lá de forçadinha, um verdadeiro banho de água fria na história doce e quente desses dois. De repente um duque e uma duquesa ricaços são os pais do Fera, eles sempre o procuraram e ele é o único herdeiro, blá-blá-blá. Eu sei que a autora gosta de explicar a origem dos bastardos em seus livros, mas não saber também era uma resposta aceitável aqui (o Finn, por exemplo, queria muito saber quem era sua mãe, e a freira nunca contou a verdade, aqui o Fera não estava nem aí pra descobrir quem eram seus pais biológicos e a autora criou o maior circo pra revelar), eu sei também que precisava rolar uma tensão clichê que ameaçaria a paz do casal, só não curti muito essa parte. Fera e Thea parecem abrir mão facilmente de tudo o que viveram até então por causa dessa mudança de status, ele vai pra Escócia, ela se acha indigna e passam meses separados. Daí se reencontram e rola o pedido de casamento no baile e nos despedimos do casal com um epílogo sem graça e sem muita conexão com eles, uma passagem de tempo de muitos e muitos anos (com direito até aos bisnetos do casal, kk) em uma grande reunião familiar. Mas de modo geral é um livro ótimo, amei o casal, a referência à Bela e a Fera, o lance da caixinha de fósforos, de pendurar os sonhos no guarda-roupa (vou levar pra vida, hehe), e acredito que encerrou bem a série, e com certeza pretendo reler os livros dos meus Trewlove favoritos: Desejo e escândalo (vol.1), O amor de um duque (vol.2) e a Tentação do bastardo (vol.6), os medalhistas na minha opinião. Depois seguem Fascínio da nobreza (vol.5), A filha do conde (vol.3) e A sedução da duquesa (vol.4) em último lugar (esse foi o pior da série pra mim). E já quero ler sobre os irmãos da Thea.

Às vezes, quando a vida nos coloca em um caminho que não queremos necessariamente percorrer, descobrimos que é uma jornada que precisamos enfrentar para conquistar nossa felicidade. Talvez, assim como eu, você se beneficie da estrada difícil em que está agora. A minha me levou ao amor da minha vida.


Chocomenta/minha cama/um romance
[amo essa combinação]

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