★★★
Anne de Green Gables
Meu futuro parecia se estender diante de mim como uma estrada reta. E eu pensava que podia ver uma distância grande dessa estrada, muitos de seus marcos. Agora, surgiu uma curva nela. Não sei o que tem depois desta curva, mas vou crer que tem o que há de melhor. Essa curva tem um fascínio próprio. Pergunto-me como é a estrada depois dela... o que há de glórias verdes e de tênues e acidentadas luzes e trevas... que paisagens novas... que belezas novas... e que curvas e ladeiras e vales há mais à frente.
Sinopse:
Anne Shirley é uma órfã que foi enviada por engano à fazenda de Green Gables, já que os irmãos Marilla e Matthew tinham a intenção de adotar um menino para ajudar nas tarefas diárias da fazenda. No lugar de um garoto, Matthew encontra uma menina magrinha de cabelos ruivos esperando na estação. Com pena da garota, eles resolveram mantê-la na fazenda e adotá-la. Com uma imaginação que lhe permite viver fantasias, Anne traz reflexões e pensamentos pertinentes sobre os obstáculos e as escolhas da vida de qualquer pré-adolescente.
O que eu achei:
Um livro que vivia sempre prometendo ler (afinal foi presentinho de aniversário)... enfim aconteceu. Anne é uma garotinha engraçadinha, peculiar e cativante. O problema da personagem – pra mim – é o exagero, seja na tagarelice ou nas reações dramáticas. Anne tem sempre falas imensas, verdadeiros monólogos que duram mais de uma página. Na prática, ela seria uma menina bem cansativa de se conversar. É também sonhadora e vive no mundo da lua, no comecinho isso é interessante, mas depois se torna um pouco cansativo de acompanhar porque ela está sempre se metendo em encrencas por causa da distração e da fantasia. E eu tenho um probleminha com heroínas extremamente imaginativas e sentimentais, tipo a Marianne de Razão e sensibilidade, hehe (apesar que amo a personagem no filme de 95). Além disso, Anne é bem dramática e está sempre em extremos: ora nas profundezas do desespero, ora em júbilo por infindável alegria. Quanto ao casalzinho, a implicância da Anne com o Gilbert demora muito pra se resolver (anos), e ela se mostra – de novo – exageradamente rancorosa só porque ele a chamou de cenouras uma vez (quando eram crianças!), o menino pede desculpas várias vezes e ela se mantém irredutível até praticamente a última página. E isso é uma pena, porque eu gostaria muito de ter visto mais de Anne e Gilbert, eu sabia que eles ficariam juntos porque acompanhei uma parte da antiga série da Anne (dos anos oitenta), e sempre ficou na minha memória algumas cenas do casal. Eu pretendo ler a sequência... mas como não gostei de Pollyanna Moça, não sei se vou gostar muito de "Anne Moça", hehe. Pode parecer bobagem, mas acho que Mary Lennox (de O jardim secreto), Pollyanna e Anne seriam grandes amigas, elas têm histórias parecidas, meninas indesejadas a princípio, mas que depois cativam a todos. Falta agora ler Heidi, a garota dos Alpes.
Ansiar pelas coisas é metade do prazer proporcionado por elas.
De forma geral, mesmo sendo um romance do início do século XX, a leitura é rápida e de fácil compreensão (só tem muita descrição de paisagem, como de praxe), e a história é inspiradora, bonita. Aqui nesse primeiro livro a gente acompanha o florescer de Anne, sua infância e juventude na amada Green Gables, dos 11 aos 17 anos, mais ou menos. Foi gostosinho vê-la crescendo e amadurecendo. Os melhores capítulos são os finais, fica tudo mais interessante, mais emocionante, mais aconchegante. Terminei a leitura com uma sensação quentinha no coração e uma reflexão sobre as curvas da minha própria estrada.
Lisette de Windy Poplars :D



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