★★★
Uma duquesa audaciosa
É preciso arriscar, afinal a vida não pode se resumir a uma sucessão de dias, todos absolutamente iguais, ainda que o prazer seja a nota predominante em todos eles. Há que se descobrir novas emoções, caso contrário, a monotonia acabará com a alegria e passaremos apenas a respirar.
Sinopse:
Lady Georgina Walker, a jovem duquesa de Kent, acaba de ficar viúva. Convencida por uma amiga, retoma suas atividades na sociedade londrina sem imaginar que uma trama, envolvendo uma aposta e o lorde mais mal-afamado de Londres, começa a se desenrolar. Thomaz Hughes, o Visconde de Durnhill, um homem difícil de ser esquecido, é alguém cercado de responsabilidades e que há muito aprendeu a esconder sua verdadeira personalidade sob um manto de libertinagem. Quando uma aposta lhe abre a possibilidade de resolver seu maior problema, ele se arrisca com entusiasmo. No entanto, tudo o que parecia simples se torna complexo quando surge em seu caminho a bela e altiva Georgina, uma jovem que também esconde segredos por trás dos doces olhos azuis. E o que parecera fácil conquistar poderá, ao final, acarretar sua ruína.
O que eu achei:
Aquele clichê (bem clichê) que começa com uma aposta. Já sabemos no vai dar, né? De forma geral esse é um romance de época ok, tem seu lado aconchegante e gostosinho (como a maior parte dos livros da autora), mas não me agradou tanto. Falta emoção e profundidade, tem sim romantismo, mas a trama é simplesmente monótona. E eis aqui uma ''duquesa audaciosa'' sem um tico de audácia, pra mim a Georgina é bem comum e dentro do padrão de mocinhas de romance de época: casta, boazinha, atenta ao decoro, anseia pela maternidade, se apaixona facilmente – e tudo bem ser assim – é que pelo título imaginava uma protagonista impetuosa e ousada, no estilo Freyja (Ligeiramente escandalosos), Christina (A lady de Lyon), Calpúrnia (9 regras a ignorar antes de se apaixonar), Olivia (Esse duque é meu), Hyacinth (Um beijo inesquecível) ou Minerva (Codinome Lady V)... uma heroína que desafiaria as regras da sociedade, menos convencional. Mas a única coisa audaciosa na Georgina era o fato de montar ''como um homem'' – uma perna de cada lado, rs. E como assim ela passou anos casada e ainda era virgem? Achei que a autora forçou a barra da suspensão da descrença. Eu gosto das debutantes fofinhas e inocentes dos romances de época, mas definitivamente não esperava uma mocinha casta e virginal aqui... Não é como em Um sedutor sem coração (Lisa Kleypas), onde a gente compra a história e entende o fato da Kathleen ser uma viúva virgem. Aqui simplesmente não colou. O romance do casal é legal, mas a meu ver falta naturalidade, tudo desabrocha rápido, é meio piegas e superficial numas partes. E eu não tinha paciência para o Thomaz dizendo para a Georgina que amava outra mulher, sem revelar que a tal mulher na verdade era a sua mãe. Pra quê isso, cara? Que enrolação. Esse herói me deu preguiça, kk. E no final, ele é quem devia ter ido atrás dela pra explicar o mal entendido e não o contrário. Queria ter lido/visto eles se acertando. Af, detesto quando o final termina com uma passagem de tempo e sabemos apenas que o casal ficou junto, sem detalhes do reencontro, do que foi dito, de como fizeram as pazes. Também não curti a história paralela da criada da duquesa, achava a personagem uma água de chuchu. Enfim, faltou um 'tcham' nessa história, um 'je ne sais quoi'. Mas pra passar uma tarde chuvosa tá valendo... aquele livro que a gente lê em apenas um dia pra relaxar e esquecer do mundo um pouquinho.

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