★★★★
Um estranho nos meus braços
Eu fui um andarilho. Até voltar para casa, para você.
Sinopse:
"Lady Hawksworth, seu marido não está morto." Quando ouve essas palavras, Lara fica totalmente incrédula. Ela – assim como toda a sociedade – achava que Hunter, o conde de Hawksworth, havia se perdido no mar um ano atrás e que, dessa forma, seu casamento infeliz tinha chegado ao fim. Agora um homem poderoso e viril está diante dela afirmando ser ele, contando segredos que só seu marido poderia saber. Mas embora esse Hunter seja idêntico ao que ela conheceu, com seus olhos escuros ardentes, há entre os dois uma diferença fundamental: o de agora é atencioso e apaixonado de uma forma que nunca foi, quase uma personificação de todos os sonhos dela. Isso a faz ter certeza de que é um impostor. Enquanto ele faz de tudo para vencer os medos dela, Lara aos poucos abre espaço em seu coração – e em sua cama – para as investidas românticas. E logo passa a desejar ardentemente que esse estranho seja mesmo seu marido.
O que eu achei:
Uma enxurrada de emoções. Esse foi um livro muito imersivo pra mim, prendeu totalmente a minha atenção. Lá está uma viúva desfrutando sua independência, quando o marido ressurge do mundo dos mortos... Lembrei de Um amor inesperado (Silvia Spadoni). Lisa Kleypas é uma das minhas romancistas favoritas, sei que essa história foi escrita há bastante tempo e não é tão bem estruturada como as mais recentes, mas ainda assim é muito boa. Hunter e Lara têm uma ótima química, o que é sempre bem-vindo e deixa a gente na torcida pelo casal. Inicialmente tudo parece girar em torno da vida sexual deles, dos traumas do passado relacionados a isso, mas acho que a trama vai se aprofundado mais e mais a medida que eles se entregam de corpo e alma e o mistério em torno do Hunter aumenta. Eu estava doida pra saber quando e como a farsa seria descoberta, não acreditava que uma viagem era capaz de transformar um ogro num príncipe, embora a autora sempre deixasse aquela dúvida no ar, diários, tatuagem secreta...
O problema é que quando a verdade vem à tona, a mocinha age da forma mais imbecil possível, e isso me deu muita raiva. Juro, quase abandonei a leitura. Mas fiquei com aquela coceirinha pra ver no que ia dar o caso do Hunter. Lara simplesmente denuncia o homem que ama sabendo que ele podia ser enforcado, sem nem pensar por um minuto em ouvi-lo primeiro, sem nem pensar no que seria dos filhos deles. E ainda vai atrás das pessoas mais asquerosas do universo, praticamente dando a cabeça do Hunter numa bandeja. Não me conformo. Achei sua atitude uma traição. Que tipo de amor é esse que não oferece ao outro a chance de se explicar, de se defender? O cara mentiu sobre quem era? Sim. Tomou o lugar de outra pessoa? Sim. Passei pano? Totalmente, kk. Eis o poder de um bom personagem, ele pode até não ser um poço de virtude, mas quando tem camadas profundas e carisma acabamos gostando do impostor.
O que dá mais raiva na atitude da Lara é que ela era extremamente magnânima, a personagem mais chata ops, caridosa, compassiva e elevada espiritualmente, mas quando a pimenta cai nos seus olhos, por assim dizer, ela não demonstra um pingo de lealdade ou misericórdia para com o homem que dizia amar. Até a "mãe" do Hunter pôde ser compreensiva na situação "há coisas mais importantes que a verdade... não aprovo os seus métodos, mas devemos admitir que ele não agiu como um homem mau, e sim como alguém desesperado". Então fiquei me perguntando: O que teria acontecido se a condessa-mãe não tivesse falado em favor do Hunter? O julgamento na câmara dos lordes acaba sendo bobo e pouco crível, porém divertido, então tudo certo, eles se perdoam enfim e é isso, um brinde aos recomeços... Final feliz mais que merecido para esses dois. Esse lance de usurpação é sim descabido, mas gosto desse tipo de história. Adorei O segredo do conde (Lorraine Heath) e Cortesã por uma noite (Lisa Kleypas), por exemplo. Então acho que se a descoberta tivesse sido tratada de outra maneira pela protagonista, se eu não tivesse precisado me esforçar pra aceitar que o mocinho se apaixonou pelo retrato de uma desconhecida, ou que meios-irmãos podiam ter uma semelhança tão assombrosa... teria dado cinco estrelinhas, hehe. Ah, e o Johnny é um docinho de personagem (adoro crianças nos romances). Como a história termina sem sabermos o verdadeiro nome do Hunter (que deslize), imagino que era Elijah ou Jacob, que tal?
Descobri que empolgação e aventura são superestimadas. O que eu consegui das minhas viagens foi aprender a gostar do meu lar. De pertencer a algum lugar.

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