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Corações em fúria e Corações blindados
Um rei ia executar um rapaz, e ele disse: espere, se me deixar viver por mais um ano, vou ensinar seu cavalo a voar. O rei duvidou, mas respondeu: bem, o que tenho a perder? O rapaz saiu e ouviu de um amigo: você está louco, não pode ensinar um cavalo a voar! O homem condenado riu e respondeu: em um ano, o cavalo pode morrer, eu posso morrer, o rei pode morrer, ou posso realmente ensinar o cavalo a voar. A moral é a de que o tempo pode dar esperanças.
Corações em fúria
[Irmãos Kirk 2/3] Sinopse: Cane Kirk perdeu mais do que o braço na guerra. Ele também arruinou a própria alma em intermináveis batalhas contra fantasmas internos que o instigavam a desafiar qualquer caubói que cruzasse seu caminho. Não parecia existir uma pessoa capaz de arrebatar sua fúria, a não ser a linda Bodie Mays. Salvar Cane dele mesmo não seria um problema, apesar de ele ser um pouco tentador demais para a paz de espírito de Bodie. Porém, ao se ver em perigo, Bodie receia revelar a verdade a Cane. Como confiar em alguém tão imprevisível e selvagem? Quando o silêncio dela só acaba complicando ainda mais situação, Cane é obrigado a assumir o papel de herói. E dependendo de sua performance, talvez não precise mais ser um lobo solitário...
O que eu achei: Eu não gostei de nada neste livro, quer dizer, a não ser a história do cavalo voador. Talvez se a trama tivesse se mantido no clichê do "herói atormentado" salvo pelo amor da compreensiva heroína, eu tivesse curtido, mas do jeito que foi, achei o casal incompatível. Desde que perdeu o braço num incidente, Cane se tornou um problema para seus familiares. O cara passa quase todo o tempo bêbado, afundado em autopiedade, sendo grosseiro, arrumando briga e fazendo birra. Um completo babaca do começo ao fim da história. No meio disso tem a Bodie, sua vizinha 12 anos mais nova, e magicamente a única pessoa que consegue acalmá-lo quando está doidão. O porquê dessa conexão nunca é explicado. Mas é claro que sendo uma heroína de DP, Bodie é pobretona, abnegada, sofrida, cuida do avô doente e se mantém casta. Uma faceta da personagem que particularmente me irrita aqui é o lance com a virgindade: "Não sou puritana. Apenas tenho uma visão mais tradicional da vida". Diz a digníssima que topa fazer fotos para o site pornográfico do padrasto com o nobre intuito de comprar remédios pro avô e pagar o aluguel, kk. Isso não seria um problema se a personagem não fosse tão chata com esse negócio de sexo antes do casamento. Ficar se declarando (a todo instante) uma pessoa de fé, religiosa, tímida e com valores elevados fez a personagem parecer hipócrita e muito sonsa.
E vou mandar a real (da maneira como entendi as coisas): Cane só se casou com Bodie pra ter sexo, já que ela não queria ter relações sexuais fora do casamento e era (convenientemente) a única mulher da face da terra que aguentava seus rompantes: "A ideia de lhe propor casamento não o agradava, mas a resistência de Bodie influenciou sua decisão. Ele a desejava e não estava em condições de atrair qualquer outra mulher que estivesse interessada em qualquer coisa além de seu dinheiro...". Af, que triste. Tem mais: ele se arrepende do casamento na lua de mel, deixa a esposa no quarto e vai beijar outra mulher no bar do hotel! Nem preciso dizer que a Bodie desculpa facilmente o "deslize" do seu príncipe encantado, né? Embora o final feliz seja meloso e corresponda ao esperado, nunca acreditei no amor dele por ela. Ele se contentou, e ela também.
Corações blindados
Sinopse: Wolf Patterson e Sara Brandon são arqui-inimigos há tempos, mas o destino trapaceiro juntou o rancheiro de olhos azuis com a beldade de cabelos escuros — nas proximidades de seus ranchos em Wyoming. À princípio, as faíscas voam, mas apesar das noções equivocadas de Wolf sobre a espirituosa Sara e da indignação dela sobre as diversas injustiças que ele tem jogado em sua direção, uma trégua — ou algo do tipo — é feita. De repente, Sara percebe que o rosto de Wolf, embora não convencionalmente bonito, a atrai como nenhum outro homem jamais a atraiu. E Wolf vê a vulnerável alma que Sara esconde do resto do mundo. Eles são duas pessoas apaixonadas com um talento para brigar. Será que o amor é a faísca que precisam para criar o que ambos mais querem — uma família?
O que eu achei: Saindo dos irmãos Kirk, conhecemos outros personagens de Homens de Wyoming. Temos aqui dois protagonistas com traumas do passado. Quando Sara tinha 13 anos, foi abusada sexualmente pelo padrasto, e o cara só não conseguiu ir até o fim porque ela tem uma condição rara de hímen imperfurado (guarde essa informação). Sara ainda teve que lidar com o julgamento do abusador e as acusações da própria mãe, que a culpou e a expulsou de casa! Aos 24 anos, Sara ainda sofre de pesadelos constantes e não consegue se relacionar com os homens, isto é, tem o Wolf, ex-militar e amigo de seu irmão, um homem pedante e perturbado das ideias com quem ela tem umas discussões acaloradas.
Ele se sente atraído por Sara, mas por ter sido humilhado na cama por uma mulher do seu passado, usa Sara pra se vingar desse fantasma (já que ela é fisicamente parecida com a ex), então, mesmo ciente de que a mocinha sofreu violência sexual, ele a leva pra sua casa e força a barra, e diz coisas degradantes também (uma cena que achei bem abusiva, triste e sem volta) como se a coitada já não tivesse muito com o que lidar. Infelizmente esse galã de meia tigela só se sente mal pelo acontecido ao perceber o estado de Sara após a intimidade forçada e ao descobrir que ela tinha apenas 13 anos quando foi abusada. Por que isso é relevante? Porque ele a culpava pelo acontecido, presumia que ela era mais velha, e portanto provocara a situação. Que "herói" decepcionante! Wolf tinha uma maneira terrível de pensar, e perturbadora: meninas são inocentes, mulheres são culpadas. Obviamente esperava uma atitude protetora, compreensiva e amável do herói para com a heroína... mas ele só ligava pra si mesmo, seus desejos, seus traumas, suas necessidades. Quando ele queria desabafar, ela ouvia, era gentil e compreensiva. Quando ela falava, ele não demonstrava um pingo de empatia: "(...) Ela baixou os olhos e desabafou. – Meu padrasto tentou me estuprar. Agiu com brutalidade e houve um julgamento... tive que testemunhar contra ele. Ele foi para a prisão. – Você o provocou? – perguntou ele friamente. – Deixou-o louco, até ele se ver obrigado a tomar uma atitude? – Tenho certeza que foi o que eu fiz – respondeu ela. – Deve ter sido culpa minha. – Pobre maldito idiota. Não pense que vai ter a oportunidade de fazer o mesmo comigo.".
Pra completar ela fica grávida, e sei lá como, já que eles nunca fizeram sexo com penetração, mas DiPalmer (que certamente tinha tomado muita água que passarinho não bebe) nos explica que o esperma do Wolf é potente, achando uma brecha por onde se enfiar. Grávida, tonta, tecnicamente virgem e feliz da vida, ela marca um encontro com Wolf para contar-lhe a novidade, mas ele aparece com outra mulher, com quem troca uns beijos na frente de Sara. Depois nos é explicado que ele armou a encenação para proteger Sara da ex que o perseguia. É claro que Wolf não podia enviar um e-mail ou dar um telefonema explicando a situação, né? E é claro que cabe a Sara ir atrás de Wolf pra resolver as coisas e cuidar dele no hospital quando está ferido. Depois vem o final feliz, o casamento e as crianças. Sério, este livro foi um desastre total pra mim e o Wolf é repugnante (um dos piores protagonistas de DP). A história não é nada legal, pelo contrário, é confusa, sem cabimento e 0% romântica. E é muito doido como a autora faz a terapia parecer um circo nesse universo. Nada fazia sentido, nada.

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