★★
Um namorado bom pra cachorro
É assim que a solidão de verdade acontece. Quando descartamos as pessoas boas por causa de todas as ruins que cruzaram nosso caminho.
Sinopse:
Yara Kingsley e Alex Ramírez não se curtiram quando se conheceram, mas, por uma reviravolta do destino, acabam precisando um do outro. A conveniência os coloca em uma situação inusitada: um namoro de mentira! Yara Kingsley mora em Honey Creek, Illinois, uma cidadezinha com muitas tradições e onde todo mundo sabe da sua vida. Recém-divorciada, ela está pronta para se apaixonar de novo, mas seu ex-marido, o delegado da cidade, vive espantando todos os solteiros, na esperança de reconquistá-la. Alex Ramírez é o proprietário do mais novo restaurante de luxo de Honey Creek, e o estabelecimento em frente ao seu é nada menos que a creche de cães de Yara. Além de vizinhos de loja, Alex e Yara também moram no mesmo prédio ― o único que existe na cidade. Ele, rabugento, não faz questão de se tornar parte da comunidade, não procura se enturmar e, definitivamente, não quer saber de Yara Kingsley ― que conheceu pisando no cocô da cachorrinha dela. No entanto, os vizinhos, que são opostos em tudo, parecem ímãs e vivem se encontrando. Quando a proximidade leva os dois a darem uma trégua na briga, uma reviravolta os faz chegar a um acordo inusitado: Alex aceita fingir ser o novo namorado de Yara; em troca, ela vai adestrar o cachorro teimoso que ele herdou de uma tia-avó recém-falecida. Esse faz de conta é apenas obra do acaso ou o magnetismo entre Yara e Alex é uma prova dos planos do destino? Resta saber se o que surge da mentira está fadado a se transformar em uma tragédia ― ou se a história deles vai se tornar um conto de fadas com final feliz.
O que eu achei:
Como não me identifico com os dramas mega chorosos dessa autora arrisquei numa comédia romântica (ora, quem diria)... a capa bonitinha e a promessa de uma leitura leve me convenceram a investir na leitura, e o veredito é: esse livro não é pra mim. Não acho que seja um livro ruim, terrível, na verdade deve fluir pra muitas outras leitoras que procuram um chick-lit pra passar o tempo, algo sem hot, sem muito drama. Mas pra mim foi um livro sem graça, forçado e que me deu muito sono (minha nossa, e ainda tem uns capítulos de flashbacks).
Aqui temos o clássico clichê grumpy-sunshine, Alex é o rabugento, um cara gratuitamente grosseiro e sem carisma que tem suas questões para lidar: luto, mágoas, frustrações (as quais qualquer ser humano precisa lidar) mas que não, não são justificativas pra ser um grande babaca com alguém que só está tentando ser educado e gentil, que cara insuportável! Já Yara é o raio de sol da vez, e ainda a rainha das pamonhas, também não consegui me conectar. Sei lá, personagens assim boazinhas demais, ingênuas demais me cansam, parecem irreais. Sério, um dia desses li na Bíblia uma parte que dizia assim: "a moderação em tudo é boa - não sejas demasiadamente justo, nem exageradamente sábio; por que te destruirias a ti mesmo? (...) A sabedoria fortalece ao sábio, mais do que dez poderosos que haja na cidade." (Eclesiastes cap. 7 v.16,19). Apois, é bom ser do bem, ajudar o próximo, ser honesto, mas isso não significa ser um capacho, até porque tem muita gente mal intencionada por aí. E personagens mal-intencionados, exagerados e fofoqueiros não faltavam na cidadezinha interiorana de Honey Creek! Facilmente uma das cidades mais irritantes desse subgênero, eu teria feito as malas, simples assim, hehe.
Outra ponto que me chamou a atenção nesse livro foram os diálogos surpreendentemente infantis, o puro suco da quinta série, sério, rolavam as briguinhas mais idiotas entre os mocinhos, só faltou um "cala a boca já morreu, quem manda na minha boca sou eu", rsrs. Tem apelidos bregas e cantadas ridículas, a minha favorita foi: "Ah, Yara, tenho quase certeza de que o seu cocô cheira a rosas" (confesso, eu ri com isso). Sinceramente estranhei esse tom, os personagens não pareciam adultos 30+ interagindo. Outra trufa é a parte em que Yara, que trabalha com cachorros há anos, faz uma surpreendente descoberta a respeito do Feliz, o novo cachorro do Alex: "Ontem, percebi que ele gosta de petiscos. Feliz deixou a gente fazer o que quisesse se tivesse comida no meio". Quem diria que um cachorro curte um petisco, né? E nisso, ela vai cuidando do cachorro, eles se apaixonam enquanto fingem o namoro e o desfecho corresponde ao esperado, legalzinho. Meio que fiquei com vontade de ler a história do Nathan e da Avery (irmã da Yara) em Meu ex quer me dar bola - só espero que não seja tão bobo, tão insosso.
Eu queria que as pessoas fossem mais parecidas com cachorros... cachorros eram verdadeiros. Pessoas… nem sempre.

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