★★★★★
Ligeiramente escandalosos
– Freyja – disse Joshua –, o que você vai fazer pelo resto da sua vida? Ela ficou em alerta pelo tom da voz dele e pelo fato de tê-la chamado de Freyja e não de Free ou de coração.– Seja o que for – retrucou Freyja, erguendo o queixo –, será feito sem você, Josh. Nunca foi parte do nosso trato que você se sentisse obrigado a me pedir em casamento.– E se o que eu sinto não for obrigação? – perguntou ele.
Sinopse:
3º volume da Série Os Bedwyns
Freyja Bedwyn é uma mulher diferente das outras damas da alta sociedade: impetuosa e decidida, ela preza a independência e a liberdade acima de qualquer coisa – até mesmo do amor. Até que o destino lhe apresenta Joshua Moore, o marquês de Hallmare, um homem cheio de charme e mistério, dono de uma beleza estonteante e de uma reputação terrível. Quando ambos se encontram a caminho da pacata cidade de Bath, a química entre os dois é imediata. Entre encontros e desencontros, conflitos e provocações, Joshua faz uma proposta inusitada: pede que Freyja finja ser sua noiva, para evitar que uma artimanha de sua tia o leve a se casar com a própria prima. Para uma dupla que acha graça das convenções sociais, esta parece ser a oportunidade perfeita para se divertir. Mas a brincadeira acaba trazendo consequências inesperadas. Aos poucos, suas máscaras vão caindo e ambos se revelam pessoas bem diferentes do que aparentam.
O que eu achei:
Escandalosamente apaixonada, o melhor da série pra mim, gostosuras e travessuras, aquela história que começa empolgante, divertida e dramática (na medida certa) e se mantém assim até a última página. Aqui acompanhamos lady Freyja Bedwyn, orgulhosa como é resolve passar uns tempos em Bath, porque seu quase noivo de anos atrás (Kit, de Um verão inesquecível) está comemorando o nascimento do primogênito com a esposa que ele escolheu. Embora não admita, ela se sente humilhada, preterida, e de saco cheio com tanta felicidade conjugal alheia, rs. Então cruza seu caminho o simpático (e cheio de lábia) marquês de Hallmare. Há algo nesse livro que simplesmente me cativa. Gosto muito dos personagens: Freyja, por sua força e valentia, e Joshua, por seu bom humor e seu coração de ouro. Amo as heroínas do estilo da Freyja: impetuosas, decididas, leais, fortes... Digo isso, porque em geral, há dois tipos de mocinhas nos romances de época: de um lado as prudentes, ingênuas, meigas, delicadas, rendem as melhores donzelas em perigo, hehe (também gosto) e do outro, as enérgicas, audaciosas e ousadas. A Free faz parte do segundo grupo, e é simplesmente uma heroína maravilhosa: sempre sabe se posicionar, se mete numa briga como ninguém, mas também tem um coração lindo e suas fragilidades e medos, que esconde bem lá no fundo.
– Estou dizendo que amo você, que a adoro, que não consigo imaginar felicidade maior do que passar o resto da minha vida amando, rindo, discutindo e até mesmo brigando com você. Você disse que me ama também... isso inclui querer se casar comigo, viver aqui comigo por toda a sua vida, ter bebês comigo e se divertir comigo? Inclui compartilhar as tristezas da minha vida? E todas as alegrias?– É claro que inclui esses desejos. Mas, Josh, estou apavorada.– Ah, coração, o que aconteceu no outro dia, quando você ficou com medo do mar?– Eu o persuadi a me levar até a ilha e insisti em remar parte do caminho.– E o que você fez quando estava apavorada com a altura dos penhascos?– Eu os escalei.– E agora está apavorada com a ideia de me amar. O que vai fazer a respeito?
Acho que o bacana desse volume é que embora pareça mais do mesmo (nada contra os clichês fofinhos de sempre), ou seja, dois aristocratas que se apaixonam verdadeiramente enquanto fingem estar apaixonados, a história entrega algo a mais, um charme próprio e uma leveza que fez falta nos demais volumes da série. A insegurança da Free com a aparência traz identificação com a personagem, e sua coragem em meio às adversidades traz inspiração, e esses detalhes a tornam, na minha humilde opinião, uma das personagens mais humanas, profundas e especiais criadas pela Mary. Nunca enxerguei a Freyja como ácida ou desagradável. Já Josh é o meu favorito entre todos os heróis da série, cara alegre, alto-astral, amável (adoro quando ele chama a Free de 'coração'). Juntos, eles são divertidos, teimosos, imprudentes (também na medida certa) e muito apaixonantes.
Como já deu pra notar, fiquei muito apaixonada por esse livro. Li, reli e li de novo. A Free e o Josh são perfeitos um para o outro: eles se desafiam, se divertem, enxergam as vulnerabilidades um do outro, respondem à altura às provocações, enfim... um casal encantador... fazem você desejar que o livro não tenha fim. Ouvindo hoje You send me (Kenny G): Listen, darling, you send me, darling, you send me, honest, you do! See, at first I thought it was infatuation, but whoa, it done lasted so long… And now I find myself wanting to marry you and take you home / Ouça, querida, você me encanta, me deixa louco... juro, você deixa mesmo! Veja, no começo eu pensei que fosse paixão passageira, mas nossa, durou tanto tempo... e agora me vejo querendo casar com você e te levar para casa.
Au revoir, coração...
— Nunca me senti muito atraída pelo mar. Sempre me pareceu vasto demais, misterioso demais, poderoso demais. Ninguém consegue controlar o mar (...) sou mulher, temos que lutar por cada migalha de controle que pudermos ter sobre nossos destinos, mas eu não conseguiria lutar contra o mar.— Eu também não, se serve de consolo. O mar está aí para nos lembrar de como somos pequenos e impotentes. E isso não é necessariamente uma coisa ruim. Já fazemos coisas terríveis com o poder que temos. Mas, quando você começou a falar, me pareceu que talvez houvesse perdoado o mar.— Ele também é estimulante. Toda essa liberdade e energia. Sinto como se estivesse olhando dentro da eternidade.


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