★★★★★
Alguém para amar
A cerimônia nupcial é muito breve quando despojada de todos os paramentos que muitas pessoas gostam de acrescentar. Mas é tão sagrada quanto e tão vinculativa quanto. E igualmente alegre para a noiva e para o noivo. Flores, música e convidados não são essenciais.
Sinopse:
Westcott - Livro 1
Humphrey Westcott, o conde de Riverdale, acaba de morrer, deixando uma
fortuna e um segredo escandaloso que transformará para sempre a vida de
todos em sua família, incluindo a filha que ninguém sabia que ele tinha…
Anna Snow cresceu em um orfanato em Bath, sem nada saber de sua família de
origem. Quando descobre que o falecido conde de Riverdale era seu pai, ela
herda sua fortuna e também fica muito feliz em saber que tem irmãos. No
entanto, eles não aceitam suas tentativas de dividir sua nova riqueza. Só
que o guardião do novo conde está interessado em Anna... Avery Archer, o
duque de Netherby, sempre manteve os outros à distância, mas algo o leva a
ajudar Anna em sua transição de órfã à dama. Com a sociedade londrina e os
parentes recém-descobertos de Anna ameaçando subjugá-la, Avery intervém para
resgatá-la, mas se vê vulnerável a sentimentos e desejos que ele havia
mantido escondidos muito bem, por muito tempo.
O que eu achei:
A escrita madura, doce e reflexiva da MaryB mais uma vez aquecendo o meu
coração. Aqui temos aquele clichê de mocinha simples que cativa um duque –
mas não qualquer mocinha e não qualquer duque. Amei a história, o drama
familiar e os protagonistas tão interessantes, o romance flui lindamente
com os sentimentos desabrochando de forma honesta e suave, sem firulas,
aquele casal que se apaixona sem saber quando e como aconteceu. Anna, uma
jovem que cresceu num orfanato, de repente descobre ser filha legítima de
um aristocrata falecido, além de herdeira de uma vasta fortuna. Gosto do
fato da heroína ser uma mulher prática, gentil e com atitudes maduras,
aquela mocinha que não perde tempo sentindo pena de si mesma e encara a
vida com coragem, só senti falta de uma pitada a mais de paixão.
Já o duque de Netherby é maravilhoso e me ganhou pela singularidade. Avery
não é aquele típico duque másculo e gostosão dos romances de época, tem
estatura mediana, é magrinho, manja de artes marciais e sempre sofreu
gozações por sua aparência delicada e afeminada. Então ele se refugia
atrás de uma pose afetada e intimidadora. Avery me lembra o Wulfric, o
incomparável duque de Bewcastle (também criação da autora), taciturno,
aparentemente entediado com tudo à sua volta, peculiar, sempre munido de
seu monóculo e de uma voz suave que exala autoridade. Aos poucos ele vai
percebendo que gosta de Anna como pessoa e surge uma atração, um interesse
mútuo.
— Bem, minha duquesa, a porta do seu quarto tem fechadura? Com uma chave? — Tem. — Mostre-me o caminho. Vamos nos trancar.
Gostei muito desse personagem, do casal, dos diálogos, da primeira vez, da
fase da lua de mel, mas também da abordagem de problemas reais e comuns,
dos altos e baixos que qualquer relação enfrenta, e do crescimento do
casal a partir disso. Admito que algumas partes da história são um pouco entediantes (indiquei esse livro pra uma amiga e ela achou
muito chato, rs), tipo a apresentação de tantos personagens no início e as
longas e recorrentes cartas da Anna, por exemplo... e como falei antes,
também senti falta de um pouquinho mais de emoção na Anna, Avery se
declara tão lindamente para ela no final, faltou ela dizer coisas lindas
para ele também, dizer ''eu te amo'' com todas as letras garrafais. Mas
passei pano pra esses detalhes, pra essa monotonia aconchegante e quero
muito conhecer mais da família Westcott, agora que li o primeiro, sinto
que preciso ler todos. Fui cativada. Ouvindo hoje Songbird, na terna voz de Eva Cassidy.
...
and the songbirds are singing
like they know the score
and I love you, I love you, I love you
like never before
[E os pássaros continuam cantando
como se eles soubessem a partitura
e eu te amo, te amo, te amo
como nunca antes amei]
Ele costumava ler mulheres como um livro. Mas Anna era um volume fechado e trancado, e talvez fosse por isso que ele gostasse dela e a achasse interessante. Quem resistiria à atração de uma fechadura quando a chave estava escondida em algum lugar?


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