★★
Príncipe sombrio
Sinopse:
Os Cárpatos, vol.1
A morte pode esperar mais um dia... Mikhail Dubrinksy é o Príncipe dos Cárpatos, o líder de uma sábia e secreta raça ancestral, que vive na noite. Tomado pelo desespero, com medo de nunca encontrar a companheira que iria salvá-lo da escuridão, a alma de Dubrinksy gritava na solidão. Até o dia em que uma bela voz, cheia de luz e amor, chegou até ele, atenuando sua dor e seu anseio. Raven Whitney possui poderes telepáticos e os utiliza na captura dos mais depravados serial-killers. Desde o momento que se conheceram, Raven e Mikhail foram incapazes de resistir ao desejo que faiscava entre eles. Mas, forças sombrias tentarão destruir esse frágil amor. E mesmo que sobrevivam, como poderão – Cárpato e humano – construir um futuro juntos? E como o príncipe dos Cárpatos poderia trazer Raven para seu mundo sem extinguir as cores que a embelezam?
O que eu achei:
Eu não posso negar que adoro um romance paranormal, com esse lance de forças psíquicas. Então estava ansiosa pra começar a leitura dessa série, o livro começou bem e me prendeu desde a primeira página, mas terminei meio desanimada, pois não curti o desfecho e me irritei muito com a heroína ao longo da história. Neste universo os cárpatos são vampiros com dons magníficos, podem fazer magia, se conectam à terra e dominam os elementos naturais (apesar de não poderem sair na luz do sol), se transformam em lobos e em outros animais, e também são telepatas poderosos, capazes não apenas de ler mentes como também de hipnotizar os humanos. De uma maneira simplista os cárpatos são os vampiros bons, enquanto os maus são chamados simplesmente de vampiros, aqueles que se corromperam e são sanguinários. Aparentemente (já que não tem muita explicação) os cárpatos nascem e envelhecem até a idade adulta, não sei se morrem de maneira natural, já que eles têm séculos de idade. Mas com certeza não são imortais, já que podem ser caçados e mortos, e já estão quase extintos. O principal problema é que as poucas mulheres dos cárpatos raramente conseguem engravidar e quando conseguem, só nascem filhos homens, e os cárpatos não conseguem transformar humanas em mulheres cárpatos sem que elas enlouqueçam e morram. Isso faz com que os cárpatos sejam muito protetores com suas mulheres, sendo elas o principal alvo dos vampiros maus e dos caçadores de vampiros. Pelo que entendi, é a falta de uma companheira para toda vida que faz um cárpato eventualmente se tornar um vampiro do mal, sem emoções, sem poder ver cores, sem sentido de vida.
Mikhail, o líder dos cárpatos, estava prestes a sucumbir à solidão quando finalmente encontrou sua companheira, uma humana-telepata chamada Raven. Eles se conhecem primeiro telepaticamente, depois pessoalmente. E rola aquela clássica conexão de almas gêmeas. Eu realmente gosto do conceito de companheiro de vida que esses romances sobrenaturais abordam. Um laço inquebrável, a metade da laranja, a união sexual mais perfeita e satisfatória, onde o bem-estar e a felicidade do parceiro estão acima de tudo. Nisso Mikhail cumpre bem o seu papel de protetor obcecado pela sua parceira (ele me lembrou o Lachlain de Desejo insaciável). No início ele é até assustador, assim como o Lachlain. Sim, as coisas vão mudando e o amor suaviza o personagem. Mas não consigo dizer que amei Mikhail e Raven como herói e heroína, como almas gêmeas. E a principal razão para isso é bem simples: a Raven é um porre, rs! E digamos apenas que eu se fizesse uma lista das mocinhas mais obtusas dos romances que li, Raven Whitney encabeçaria a lista.
No começo a Raven me lembrou a Ramie de Proteja-me (Maya Banks), pois usava sua telepatia para rastrear assassinos, o que a deixava mentalmente desgastada. Assim como a Ramie, ela não podia tocar nas pessoas, pois os pensamentos e emoções alheias a consumia. Mikhail era o único que podia tocá-la, capaz até mesmo de lhe dar descanso mental. A questão é que Raven se achava inteligente e capaz de se virar sozinha, quando claramente era muito limitada. Tipo, o Mikhail sugou seu sangue e ela nem cogitou o fato dele ser um vampiro, kk. Sério, cadê o raciocínio lógico dessa mulher? Por ser uma telepata que já ajudara a polícia a capturar psicopatas era de se esperar que Raven fosse um pouco mais forte e aberta às coisas sobrenaturais, mas a verdade é que ela vivia surtando constantemente, à beira da loucura toda vez que algo impactante acontecia, o que gastava muita energia do Mikhail para acalmar seus nervos e sua mente fraca. Minha nossa, a cena em que essa criatura precisa se enterrar num buraco pra se salvar (sendo que ela não precisava respirar) dispensa comentários. Eu só queria entrar no livro pra lhe dar uns tapas e acabar com aquele faniquito. Sem um pingo de sagacidade e irritantemente ingênua, ela sempre caía nas armadilhas dos vilões. E sendo uma telepata muito da boazinha tonta, escolhia ver apenas o lado bom das pessoas, mesmo quando captava emoções e pensamentos doentios, ela os ignorava, levando-a a ser quase morta, violentada, sequestrada, etc., etc. Você espera que ela aprenda alguma coisa com as experiências anteriores, que de fato confie inteiramente em Mikhail, mas no final [novamente] ela cai nas mãos de outro vilão: André, um vampiro do mal, e [de novo] é quase morta (argh, que irritante). Essa mulher tem o cérebro de um mosquito, só pode, com perdão aos mosquitos.
São muitos os momentos em que a Raven me tirou do sério, tipo passear pela floresta sozinha (mesmo após saber que uma mulher havia sido assassinada por ali), chegando a tirar um cochilo no meio do mato; ignorar todas as advertências do Mikhail, agindo por contra própria e afirmando que sabia cuidar de si; depois de quase ser violentada e assassinada, novamente sair vagando pela floresta, descalça e seminua, tarde da noite, e ainda parar pra conversar com um homem estranho; sair da casa do herói quando ele estava ferido (ao invés de ficar ao seu lado) para passar a noite numa pensão que ela sabia estar cheia de fanáticos, assassinos e caçadores de vampiros (isso quando ela era oficialmente a mulher de um deles)... pra no final ainda decidir que o herói não era certo para ela, embora ele fosse o único homem capaz de tocá-la e protegê-la. Quando Mikhail vai ao seu encontro para resgatá-la de André, ela simplesmente passa um tempo vendo o seu marido como um monstro por ter usado seu lado bestial para destruir o vilão. Eu juro que não entendo essa personagem, Raven falava sobre amor e confiança, mas seu comportamento mostrava que ela não confiava e não era digna da confiança do seu companheiro. E eu não acredito que alguém possa ser tão compassivo e ingênuo como a Raven, na verdade nem acho saudável ser assim. A desconfiança e a cautela são benéficas, é apenas o cérebro te avisando pra não confiar rápido demais, te alertando de algum perigo iminente. Foi muito difícil pra mim gostar da Raven, me identificar ou simpatizar com ela.
Agora falando de outras questões, a autora gosta de umas descrições de cena bem detalhadas e floreadas, e até acho que esse livro tem páginas demais, repeteco de situações e uma prosa pra lá de afetada, mas termina sem esclarecer alguns pontos relevantes. 1) Como foi possível que Raven se transformasse em uma mulher cárpato? Não há nenhuma explicação para isso, pois já havia sido estabelecido que nunca deu certo transformar qualquer outra mulher humana numa cárpato, mas com a Raven a coisa toda foi simples, sem consequências. 2) Como os cárpatos (sendo tão poderosos) estavam sempre em desvantagem diante dos patéticos vilões? Os vilões, em sua maioria caçadores humanos (lembrando que os cárpatos tinham a capacidade de hipnotizá-los) apareciam do nada e pegavam os poderosos cárpatos com as calças arriadas todas as vezes, rs. Vamos lá, era de se esperar que uma raça tão poderosa estaria preparada para ser caçada, teria lugares secretos onde viver, dominaria facilmente seus inimigos, viveria discretamente. 3) E por fim, cadê o bebê? Raven aparentemente se tornou a esperança dos cárpatos, afinal ela pôde ser transformada sem consequências e poderia engravidar, provavelmente de uma menina, dando continuidade à raça. Mas isso não se resolve no final e a história termina sem nenhum bebê à vista. E se tem um livro que precisava terminar com o clichê do bebê no final feliz era esse. Mas essas questões são esclarecidas no volume 2. Embora essa história não tenha me impressionado como eu esperava, achei legal. Na verdade, se não fosse pela trama um pouco repetitiva e uma mocinha absurdamente estúpida, poderia ter sido uma ótima leitura para mim. Vamos ao próximo, achei o Gregori um personagem bem interessante e quero ler sua história no quarto livro.

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