A maldição do toque

Sinopse:

Morana Ceres sempre soube que seu destino não lhe pertencia. Vendida em um acordo de casamento real desde a infância, ela passou a vida em um vilarejo esquecido, se dedicando ao jardim e à família. Quando a convocação real finalmente chega, Morana embarca na jornada para a capital, preparada para cumprir sua promessa e abraçar um futuro de coroa e protocolo, embora incerto. A viagem, contudo, é brutalmente interrompida por uma tempestade implacável e um ataque selvagem. Fugindo do perigo, Morana encontra refúgio no lugar mais improvável: um castelo antigo e isolado no coração da floresta, envolto em sombras e segredos. É lá que ela encontra Meraki, uma criatura de chifres e pele roxa, cujos olhos de jade refletem a escuridão que o consome. Meraki é o monstro das lendas que habita o castelo e cuja mera presença é um convite ao perigo. Ele carrega uma terrível maldição que o condenou à solidão por séculos: seu toque é letal, capaz de ceifar a vida de qualquer ser vivo. No entanto, a atração entre eles é instantânea e inegável, e Meraki não só a permite ficar, como a observa com um interesse selvagem. Presa pela neve e pelo desejo crescente, Morana se vê enredada em uma relação proibida, onde cada olhar do homem sombra a faz questionar seu destino. Ele pode não tocá-la, mas a intimidade entre eles é mais avassaladora que qualquer carícia. A promessa de uma coroa e a segurança de um casamento arranjado se esvaem diante da eletricidade dessa conexão, e o desejo de estar com Meraki se torna uma força incontrolável. Prepare-se para mergulhar em um romance de fantasia sombria, onde o desejo se torna uma maldição e o amor é a única, e mais arriscada, salvação.


O que eu achei:

Adoro ler romances inspirados em A bela e a fera, o último que li [e amei] foi Condenado à escuridão (de Dani Medina), então já mergulhei nessa leitura super animada, de coração aberto, mas logo fui desanimando... Meraki é um feérico com poderes extraordinários (cria sombras e manipula criaturas feitas a partir delas) que vive isolado num castelo por conta de uma maldição que o impede de se relacionar, uma mistura de rei Midas com a Elsa de Frozen, hehe. Ele vive solitário pois tudo em que toca morre instantaneamente, até que aparece em seu castelo uma donzela em apuros, sua destinada, aquela que quebrará a maldição. Morana é a nossa mocinha da vez, que resulta ser filha da bruxa que amaldiçoou o Meraki, uma híbrida de fada/bruxa, capaz de projetar vinhas e ramas. A história segue a premissa do conto de fadas: ao invés de rosas, temos papoulas cercando o castelo; a camponesa e o monstro/príncipe precisam conviver no castelo mágico, eles vão construindo uma amizade e por fim se rendem ao amor e à atração mútua, superam os desafios e ficam juntos e felizes. Tinha tudo pra fluir, mas não foi, pois eu simplesmente não consegui sentir aquela faísca entre os mocinhos, e também não simpatizei com a Morana.

Uma coisa que me "desencantou" de cara foi a cena da floresta. Quando atacados pelos lobos de sombra do Meraki, o gentil cocheiro da carruagem não deixou a Morana para trás (como os demais guardas reais), ele mal a conhecia, mas lutou para protegê-la. Mas foi só o homem ficar com o pé preso numa raiz, que ela não pensou duas vezes e o deixou para trás para morrer. Entendo que o medo e o instinto de sobrevivência podem falar mais alto nessas horas, mas ainda acho que uma heroína pede atos heroicos, atos de compaixão, de bravura. Uma verdadeira princesa deveria ser essencialmente boa, já Morana é fria diante da situação toda. Ao longo da trama ela ainda se mostra deslumbrada com riquezas, egocêntrica e irritante.

A pobre camponesa, vez ou outra, deixa escapar seu desejo em ser rainha pra ostentar "exibindo uma linda coroa de esmeraldas nos salões do castelo na capital, então seriam as nobres a lhe invejar, e não o contrário, estaria acima de todas, representando algo que eles jamais alcançariam", a personificação de que "o sonho do oprimido é ser opressor", kk. Quando invade o castelo do Meraki, fica esperando ser servida, consolada, mimada, entretida. Do contrário, faz birra e deixa de falar com o cara que está lhe hospedando durante a tempestade. Você pode ter lido e se apaixonado (que bom), mas eu achei o casal sem graça e a Morana uma grandessíssima pé no saco! A coisa simplesmente não fluiu, só curti os cenários, hehe. Ouvindo hoje Fascinação (Elis Regina): "os sonhos mais lindos sonhei, de quimeras mil, um castelo ergui, e no teu olhar, tonto de emoção com sofreguidão, mil venturas previ...".


Qual a sua releitura de A Bela e a Fera favorita?♡

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